terça-feira, 8 de maio de 2012
O paradoxal império de Abramovich
Desde que o futebol se sujeitou aos mandatários do dinheiro, no início da década 2000, Roman Abramovich
ocupa o papel de protagonista na terra da rainha. Com o cofre abarrotado de notas petrolíferas, o russo assumiu a administração do Chelsea com um sonho: retomar os rumos do time de Londres.
E ele não poupou esforços e investimentos para tanto. Logo na primeira temporada, trouxe o então campeão da Liga dos Campeões José Mourinho, o artilheiro desconhecido Didier Drogba e o meio-campo Frank Lampard, destaque do Aston Villa.
Logo na primeira temporada, em 2004, campeão inglês, desbancando o hegemônico United. Primeiro passo dado, o russo passou a tratar como obsessão o torneio europeu. Em 2005, a história se repetiu, e os blues levantaram a taça da terra da rainha, mas repetiu o fracasso na competição continental.
Com a saída do português para a Inter de Milão, o poderoso-chefão ensaiava um time de galáticos com Balack, Deco e Shevchenko. O israelense Avrant Graham, então, levou o time à final do torneio dos sonhos de Roman, mas escorregou no pênalti do capitão Jonh Terry.
Depois de Graham, veio Scolari e a indisposição dos medalhões. Cifrado, o brasileiro saiu para dar lugar a Guus Hiddink. O holandês, que prezava da amizade do magnata e do elenco, optou por não renovar o contrato e só reergueu o ânimo azul.
Já na década de 2010, o russo não pensou duas vezes quando viu no condado português um jovem treinador que levara o time do Porto ao título nacional com incontestáveis 27 vitórias e 3 empates. Desembolsando 300 milhões de reais para trazê-lo, Abramovic mais uma vez apostava em um patrício para recuperar a hegemonia nacional e conquistar a europa.
Muita expectativa, poucos resultados. André Vilas Boas também não foi bem aceito pelo grupo e deixou Stamford Bridge no meio do caminho.
Assumidos pelo auxiliar técnico e ex-jogador Andrea Di Matteo, Drogba, Lampard, Terry e companhia pareciam dispostos a se reanimar na temporada e, de coadjuvantes na Inglaterra, passaram a protagonistas no Camp Nou e chegam à segunda oportunidade de conquistar o sonho do proprietário.
O curioso é que, nas duas vezes, os azuis de Londres viram interinos, com salários nada atmosféricos, levarem o clube às decisões.
O russo deve se perguntar até que ponto valem as cifras para o gestor de um elenco chefiado por medalhões trazidos por ele e vê, em oito anos de clube, um investimento com retorno a médio prazo para realizar um sonho antigo, comprovando as rédias eonômicas do futebol moderno, justamente em um momento modesto.
domingo, 22 de abril de 2012
Flamengo: Um time de luxo?
Desde que o futebol tem onze de cada lado, uma bola e um trio de arbitragem, o concenso é de que o Clube de Regatas do Flamengo é um time popular, de massa, de raça. O time formado ainda em 2011, entretanto, vai na contra-mão dessa ideia e, talvez por isso, não alcance produtividade alguma.
Contradados como superestrelas, Ronaldinho Gaúcho e Vanderlei Luxemburgo plantaram a semente da discórdia no vestiário e conduziram o clube a uma sofrível e dramática classificação à taça Libertadores.
De lá para cá, Flamengo e estrelas parecem não se ajustar, como ao longo da história, e o craque, que vencera a guerra de vaidades, se colocou acima do clube. Resultado? Eliminação injustificada no torneio continental. Mas e o papai? - perguntamos. Nem o papai, nem ninguém impõe limite à superestrela.
O que se vê, então, é um time sem raça e sem massa. Disposto a estar indisposto, como o seu capitão (?) e longe, muito longe do que deve ser o clube mais popular do Brasil, o Flamengo se despede do primeiro semestre e deixa o recado: enquanto não houver soliderariedade e grupo formado no e pelo clube, a colheita é essa.
Longe de qualquer artigo de luxo: assim é o Flamengo. Por quê?
Porque ele é o único artigo de luxo do futebol!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
É meu maior prazer vê-lo brilhar...

Seja na terra, seja no mar/vencer, vencer, vencer...
Um mar de erros, outro de esperança. Assim é o Flamengo na taça Libertadores 2012, que desperta ódio por uns, indiferença por outros e esperança por poucos. Ódio pelos que já fazem hora-extra no clube e pelos que não deviam nem vestir uma camisa do quilate da rubro-negra; iniferença por aqueles que assim tratam o clube e entram em campo sem saber o que estão representando, que camisa é essa e que torcida é essa e preferem rolar a responsabilidade para a entrada da área; esperança por aqueles que chegam agora e têm o privilégio de vestir mais que uma camisa, esperança por aquele que carrega o sentimento mais nobre por um clube em inglês e traduz isso em campo.
Se era para ser uma noite de Flamengo, não foi. E não foi porque o sub-comandante pensou estar em General Severiano, São Januário, Laranjeiras, Fonte Nova ou outros redutos apequenadores.
Ter a vantagem é estar com a bola no campo adversário, e não colocar uma bola em campo para chamar o adversário. Ter a vantagem é oxigenar o meio-campo e trocar o de 29 por um de 20. Ter a vantagem é não inventar no esquema. Isto se faz aos 40 minutos quando seu time está perdendo, não quando ele está vencendo e preenchendo espaços.
Neste mar de erros, há um mar de esperança. Os modernos dizem que camisa não ganha jogo. Prefiro acreditar nos românticos e em Nelson Rodrigues, que certa vez escreveu "Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E, diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável."
Só a camisa pode fazer a combinação necesária. Seja na terra, seja no mar...
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Entrevista - Jorge Iggor

Quase cinco anos depois na TV aberta, o narrador da TV Esporte Interativo respondeu sobre sua carreira, seus times, sua família e sobre o projeto que comprou a ideia, além de não titubear sobre Mano Menezes e decidir entre Romário e Ronaldo. Confira a entrevista:
Carreira:
Fome de Gol: Jorge, dizem que, no Brasil, o sonho de ser narrador vem logo após o sonho de ser jogador de futebol. No seu caso, deve ter sido o primeiro, porque é um radiomaníaco. Como foi o início da carreira? Qual foi o primeiro jogo narrado?
Jorge Iggor: Primeiro e único... rs … desde muito cedo, ficou claro para minha família que gostaria de ser locutor esportivo. Era (e sou até hoje) muito ruim jogando bola, mas adorava narrar os jogos dos meus colegas. Em casa, como filho único, brincava sozinho. Armava os dois times na mesa de botão, jogava com os dois e fazia a narração. O mesmo acontecia com jogos de vídeo-game e totó (ou pebolim). E sempre gostei muito de ouvir rádio. Ali perto dos dez anos de idade, eu brincava de ser “dono” de uma emissora. Pegava um caderno, montava a programação imaginária e também apresentava meu programa no “estúdio” que montei no quarto.
O início da carreira foi no final da adolescência. De tanto ouvir rádio e procurar novas emissoras, descobri o fenômeno das rádios comunitárias. A gritante diferença de qualidade de som e programação entre uma emissora local e as grandes rádios me chamava muita atenção. Até que um dia descobri uma emissora num bairro próximo ao meu. Chamava-se “Cruzeiro do Sul FM”. Me enchi de coragem, liguei para a rádio e perguntei sem muito rodeio: “Vocês estão precisando de um narrador de futebol?”. O menino que cuidava do horário ficou meio assustado com a pergunta e pediu para que eu fosse até lá para conversar com o dono. Dois dias depois, eu estava lá. Me apresentei ao Sr. Sales (até hoje não sei qual era o primeiro nome dele) com um mirabolante projeto de transmitir as partidas do Campeonato Brasileiro. A ideia não empolgou muito, mas não fui descartado. Ele me ofereceu um quadro aos sábados e domingos para falar dos quatro grandes do Rio. Topei e fiquei lá por dois meses. Depois fui pulando para muitas outras emissoras comunitárias. Perdi as contas, juro. Até que, em outubro de 2003, um telefonema mudou para sempre minha trajetória: nessa época eu apresentava um programa matinal numa rádio da Abolição (bairro da zona norte do Rio de Janeiro) e, pouco antes de entrar no ar, recebi uma ligação do Paulo César Rabelo, chefe de esportes da Rádio Grande Rio, que fica no município de Itaguaí. Ele disse estar acompanhando meu trabalho há algumas semanas e me convidou para fazer parte de sua equipe. Quase caí pra trás! Finalmente estaria realizando o sonho de falar numa rádio AM. Mas não comecei narrando. Minha primeira função foi de repórter. Estreei num Juventude x Flamengo, dia 2 de novembro de 2003. Dias depois, narrei Cruzeiro x Paysandu, jogo do título brasileiro. Foi meu primeiro jogo narrado numa emissora AM.
Fome de Gol: Quais foram/são suas referências profissionais?
Jorge Iggor: Sou meio “tiete” de alguns narradores. Na TV, cresci ouvindo o Luciano do Valle. Lembro muito das Copas de 94 e 98, que assisti pela Bandeirantes. No rádio, minha primeira e maior “paixão” foi Fiori Gigliotti. Mesmo estando no Rio, as emissoras de São Paulo me atraíam bastante e o Fiori me encantava. Fui ouvinte dele até o triste ano de sua partida, em 2006. Também gostava muito de ouvir o Willy Gonser narrar os jogos do Atlético-MG na Itatiaia. Dos que estão em atividade, sou fã de carteirinha do José Silvério.
Fome de Gol: Desde que você se tornou um locutor esportivo, qual foi o melhor time que narrou?
Jorge Iggor: Não é pegando carona no momento, é realidade: o Barcelona atual é impressionante! O Esporte Interativo me proporciona narrar a grande maioria dos jogos do Barça e aproveito essa experiência ao máximo. Sou um privilegiado.
Fome de Gol: Qual foi / Qual é o seu maior sonho profissional?
Jorge Iggor: Tinha o sonho de me tornar locutor esportivo e já alcancei. Para o futuro, tenho o desejo de ver o Esporte Interativo chegar onde planejamos. Quero ter o gosto de participar de todos os capítulos dessa história. Sou fortemente ligado a esse projeto. Comprei a ideia. É minha segunda casa.
Fome de Gol: O projeto Esporte Interativo foi uma aposta no escuro, ou todos na equipe tinham a ideia de que a TV iria emplacar?
Jorge Iggor: Todos apostavam no sucesso, mas no fundo achavam os diretores meio “loucos”. Eles foram muito corajosos. Foram desaconselhados por pessoas influentes no meio. Os custos do projeto eram elevados e o retorno era incerto. Mas isso não tirou a ambição desses caras. Colocaram a TV no ar na marra, otimizaram os recursos e a coisa foi crescendo rapidamente. Serve de exemplo para muita gente que pensa em desistir assim que surge a primeira dificuldade. A história do Esporte Interativo é de superação e me inspira demais.
Qual foi o jogo mais marcante nestes quase cinco anos de Esporte Interativo?
Jorge Iggor: Me permita dois: Barcelona x Getafe, Copa do Rei de 2007 (gol antológico do Messi) e Barcelona x Arsenal, Liga dos Campeões temporada 2009-2010 (quatro gols do Messi e audiência estrondosa do Esporte Interativo).
Futebol:
Fome de Gol: As paixões pelo Botafogo e pelo Santos vêm de casa? Qual foi a maior alegria e a maior decepção com cada um deles?
Jorge Iggor: Pelo Botafogo vem de casa, graças ao meu avô e à maioria estrondosa de alvinegros. Pelo Santos veio de maneira espontânea e com a força do radinho de ondas curtas da minha avó, que me permitia ouvir emissoras de outros estados. Alegrias foram várias... a maior delas foi o título brasileiro do Santos em 2002. Chorei como uma criança. Decepções? Bom, com o Botafogo foi a final da Copa do Brasil de 1999. Minha casa parecia um cemitério, tamanha era a tristeza. Com o Santos foi o gol do Ricardinho no último minuto em 2001, numa semifinal de Paulista com o Corinthians. Foi facada no peito... rs
Fome de Gol: E o carinho pela Lazio? Surgiu como?
Jorge Iggor: O time campeão italiano em 2000 plantou a semente, mas ela só “germinou” mesmo depois de transmitir jogos do Campeonato Italiano. E ao conhecer a história do clube mais profundamente, a coisa cresceu de vez.
Fome de Gol: Este campeonato foi o mais emocionante da era de pontos corridos, como foi dito por muitos da mídia brasileira?
Jorge Iggor: Foi emocionante e só. Tem gente que confunde emoção com técnica. Muitos jogos foram sofríveis.
Fome de Gol: Estrutura ganha campeonato?
Jorge Iggor: Ajuda bastante. Os títulos recentes de Flamengo e Fluminense acabaram causando um certo mal nessa avaliação. Muitos aproveitaram o embalo para dizer que estrutura não importa. Pensar assim é enaltecer o atraso.
Fome de Gol: Acredita na máxima: “Tem coisas que só acontecem com o Botafogo”?
Jorge Iggor: E como acredito! O Botafogo é um clube meio louco. Quantas vezes já tive convicção de um título e ele não veio? E quantas vezes estava completamente descrente e ele me surpreendeu? Parei de tentar entender esse “fenômeno”...
Fome de Gol: O que explica essa volta pra casa de jogadores brasileiros e o mercado alternativo que os atletas brasileiros estão optando por jogar, como Rússia, Ucrânia?
Jorge Iggor: Essa coisa do mercado alternativo é interessante. Depende muito de como você projeta sua carreira. Se o objetivo é apenas financeiro, compensa. Sobre a volta para casa, ao mesmo tempo que é uma conquista dos clubes, ela serve para mostrar o quanto o nível do nosso futebol é baixo comparado com o que se pratica na Europa, por exemplo. Um coadjuvante lá fora chega aqui e resolve.
Fome de Gol: Como vê o trabalho do Mano Menezes até agora?
Jorge Iggor: Decepcionante. O primeiro ano foi jogado fora e o próximo corre o risco de ser muito mal aproveitado com essa história de Olimpíada.
Família
Fome de Gol: Pelo twitter, a gente observa que você é bastante caseiro. Na folga, é 100% família ou escapa para assistir algum jogo?
Jorge Iggor: Só assisto jogo pela televisão. Não gosto de frequentar estádio. O que se paga no Brasil é muito acima do que o espetáculo realmente vale. Além disso, a segurança é baixíssima. Pago um preço caro por assumir para quais clubes torço. Sempre tem um idiota metido a valentão e com a cara cheia querendo resolver na porrada. Uma vez ou outra, quando o jogo é de pouco apelo, levo o Gustavo ao Engenhão. E só. Agora... vejo futebol em casa o dia todo. Na folga, saio com a família normalmente, mas se estou em casa é certo que vou ver futebol. Não me desligo.
Fome de Gol: O pai já fez o Gustavinho botafoguense?
Jorge Iggor: Já. O garoto tem personalidade forte. Resistiu à todas as tentativas de parentes e coleguinhas de mudança de time. Ganhou um uniforme completo e joga futsal com ele. Fora isso, tem copo, prato, baldinho de praia e tudo mais que você imaginar com o escudo do Botafogo. O trabalho aqui em casa foi bem feito... rs
Fome de Gol: A Paola (esposa) gosta de futebol tanto quanto você?
Jorge Iggor: Não. Nem acompanha. Gosta do Flamengo, mas é daquelas que só assistem final de campeonato. Mas o melhor de tudo: nunca se incomdou com a quantidade de jogos que assisto. São oito anos convivendo juntos sem nenhuma reclamação. Às vezes rola uma queixa com o volume do rádio, nada mais.
Fome de Gol: Quem ataca na cozinha, Jota?
Jorge Iggor: Ela manda super bem, mas não tem muita paciência. Eu faço apenas o básico do básico: arroz, feijão e uma fritura. Nada elaborado.
Fome de Gol: No almoço de Domingo, quando não tem escala, o que não pode faltar?
Jorge Iggor: Strogonoff é unanimidade aqui em casa. Uma boa feijoada o amigo aqui também não dispensa.
Rapidinhas
Fome de Gol: Fla 81 ou Barça 2010?
Jorge Iggor: Não vi o Flamengo de 81 (nasci em 85), mas tenho a impressão que a posse de bola desse Barça atual é algo que ninguém jamais repetiu.
Fome de Gol: Quem foi melhor: Romário ou Ronaldo?
Jorge Iggor: Vi os dois. Romário disparado.
Fome de Gol: Mata-mata ou pontos corridos?
Jorge Iggor: Prefiro pontos corridos, mas mato a saudade do mata-mata nas copas nacionais.
Fome de Gol: Neymar ou Messi?
Jorge Iggor: Hoje, Messi.
Fome de Gol: Chaves ou Chapolin?
Jorge Iggor: Baita pergunta... Chaves, mas por um dedinho de diferença.
Dica Cultural
Fome de Gol: Pra fechar, Jota, qual Livro ou Filme você recomendaria para os amantes do futebol?
Jorge Iggor: Um filme que me chamou muita atenção foi “A Um Passo da Glória”. É de 2000 e conta a história de um manager de um time escocês que luta contra todas as dificuldades financeiras do clube. Briga para convencer o dono, que é americano, a não levar a equipe para outra cidade. E, num determinado momento, recebe como reforço seu próprio genro, que acabou gerando uma desavença entre ele e sua filha pela desaprovação do relacionamento. Filme bem interessante.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Saúde, Flamengo!
É como uma relação de amor. Você espera e, quando é atendido, espera que aquilo aconteça todas as vezes da mesma forma como da primeira vez. Quando não acontece, culpa o outro e questiona: "se foi assim, porque não pode ser denovo?"
Talvez porque o momento é outro, a motivação é outra e a expectativa é outra.
É como uma relação de amor. Você diz que ama - e ama mesmo -, mas se não cumpriu o que prometeu, pronto. Jura não querer saber sobre por uma semana, mas bastam 5 minutos - quando muito - para que tudo volte ao mormal.
É como uma relação de amor. Você nunca se esquece do primeiro encontro, do primeiro encanto, so primeiro beijo, e mais, nunca se esquece da primeira vez em que visitou sua casa.
É como uma relação de amor. Do mais feliz ao mais triste, você está ali, às vezes na impotência por não ajudar, outras na supercapacidade de empurrar. Sabe porque pode ser uma relação de amor?
Porque esta história tem dois lados: o povo e o clube.
Há de se discutir a data, mas a popularidade pede que se festeje em um feriado carregado de significações para o país e para o povo. República seignifica coisa pública.
E foi. Um time que foi abraçado por treinar na Central do Brasil logo deu amostras de que buscava alguém para o sustentar. O povo, cansado de clubes sociais, viu uma oportunidade única de se aproximar do futebol.
Eis que a relação é construída. E é assim, em cada um. Em cada tempo.
1995, Flamengo e Fluminense no Maracanã. Centenas de quilômetros dali, a decisão foi tomada: ser Flamengo. Inflamado pela certeza de conquistar o primeiro título, veio a dor. Que dor!
No primeiro encontro, a frustração. Motivo certo para terminar o que havia começado dali a 90 minutos. Seria, se não fosse o amor.
E nesta relação multifacetada de sentimentos, não importa quem esteja. Importa quem seja. E quem é sabe que as alegrias são abundantemente maiores que as frustrações, que nem são tão marcantes assim. Acostumou-se com a grandeza e, ela, nenhum abalo pode superar.
Quem é sabe que, quando o clube vai a campo, já está lá desde a concentração. Com bandeiras, camisas, chapéus, rituais e superstições se prepara para mais uma experiência na relação.
Quem é sabe que o clube investe sem ter porque sabe quem tem. E sabe o tamanho que é.
Hoje, o Clube de Regatas do Flamengo completa 116 anos acompanhado de uma nação e de uma história capazes de fazer com o que o futebol seja como uma relação de amor.
Saúde, Flamengo!
sábado, 8 de outubro de 2011
Ai, Jesus!

Lamartine Babo traduz bem o clássico, principalmente o deste Domingo, ao cantar: " No Fla-Flu é o ai, Jesus". Nelson Gonçalves também retrata a atmosfera do clássico eternizando que "o primeiro Fla-Flu existiu 20 minutos antes da criação do mundo".
As marcas literárias que confirmam o teor do Clássico dos clássicos dão um colorido ainda maior para a 28ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Frente a frente, os dois últimos campeões, acostumados a apertar o turbo quando a ladeira parece intranspassável. Ai, Jesus!
De um lado, a versão mais próxima da Máquina Tricolor. Do outro, a versão de uma máquina recém-lançada, ainda na versão Beta e que vem surpreendendo e se surpreendendo ao longo dos jogos. Ai, Jesus!
Os astros das companhias estão juntos, sim, mas em outra galáxia. Nem as máquinas podem trazê-los a tempo. O Tricolor, tantas vezes campeão, se lembrará de um dos títulos - o mais recente - na mesma nave e lamentará a ausência do camisa 9. O Rubro-Negro, que causaria um desgosto profundo se não existisse, teme que não exista, tamanha é a falta do seu camisa 10. Ai, Jesus!
Em jogo, a chance de mandar o rival para o espaço. Não o do título. O da frustração.
Só o Fla - Flu, para ambos, tem um peso excedente. Que lhes desculpem Vasco e Botafogo, mas um deu origem ao outro. É quase uma Guerra Civil. Ai, Jesus!
Os soldados Tricolores entram com os méritos de serem guerreiros, algo que lhes é senso comum, ao cumprirem a última missão no fim da batalha. Os soldados Rubro-Negros trazem as marcas das trincheiras, mas o triunfo na terra do inimigo, que apresentava ao seu exército um poderoso artilheiro. Ai, Jesus!
Fora do campo de batalha, mentores de agências secretas do futebol. Um retornara das terras guerrilheiras, depois de assinar contrato com alguma atencedência, e foi questionado. Era o que precisava! O outro assumira em tempos difíceis, onde o corpo de combate parecia se recusar a lutar, veio viu, venceu e pediu nomes de peso. A comandante atendeu. Será que atenderá às expectativas? Ai, Jesus!
Em um campo minado, Flamengo e Fluminense esperam que cada exército neutralize o inimigo para chegar ainda mais forte para mais um ano de honra ao mérito.
Por tudo isso, é, ou não é, o "Ai, Jesus!"
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
A árdua, mas boa, tarefa de ser Flamengo
No flamengo é assim: tridimensional. Começa normal, vira eufórico e torna-se megalomaníaco, seja na fase de brilho maior ou brilho menor.
Deve ser muita mania de grandeza, porque se fosse outra coisa, o Fla entraria em campo como franco atirador depois de 8 partidas sem vitória. Mas não: entrará sem poder errar, pressionado por duas forças gravitacionais e uma nação de 35 milhões de habitantes, que, por sua vez, também estarão pressionados. É que só eles sabem o peso do dia seguinte.
Um não entende de futebol, mas sabe que o Flamengo não ganhou. O outro esqueceu de comprar pão ontem, mas sabe o resultado do rubro-negro para marcar seu nome como coadjuvante na arte de se divertir com o torcedor flamengo.
E assim, escutando de tricolores, viceínos e chorofoguenses escutam que o bonde anda de ré e que o time parou na esquina.
Tudo isso se multiuplica, se redimensiona, se tridimensiona, quando os papeis se invertem. A vila e o épico 5 a 4 respondem por qualquer mortal.
Nessa amplitude de ser Flamengo, é hora de deixar o profundo de lado e jogar na simplicidade. E o Clube de Regatas consegue?
Têm um malabarista e uma torcida exigente, que o quer ver em alto nível até 2014. Tem a mania de ser maior, ainda que a fase seja diferente. Sobretudo, tem a árdua, mas boa, tarefa de se ressurgir!
Isto é ser Flamengo!
Topa?
Que bom, porque só os capacitados assumem esta missão.
Deve ser muita mania de grandeza, porque se fosse outra coisa, o Fla entraria em campo como franco atirador depois de 8 partidas sem vitória. Mas não: entrará sem poder errar, pressionado por duas forças gravitacionais e uma nação de 35 milhões de habitantes, que, por sua vez, também estarão pressionados. É que só eles sabem o peso do dia seguinte.
Um não entende de futebol, mas sabe que o Flamengo não ganhou. O outro esqueceu de comprar pão ontem, mas sabe o resultado do rubro-negro para marcar seu nome como coadjuvante na arte de se divertir com o torcedor flamengo.
E assim, escutando de tricolores, viceínos e chorofoguenses escutam que o bonde anda de ré e que o time parou na esquina.
Tudo isso se multiuplica, se redimensiona, se tridimensiona, quando os papeis se invertem. A vila e o épico 5 a 4 respondem por qualquer mortal.
Nessa amplitude de ser Flamengo, é hora de deixar o profundo de lado e jogar na simplicidade. E o Clube de Regatas consegue?
Têm um malabarista e uma torcida exigente, que o quer ver em alto nível até 2014. Tem a mania de ser maior, ainda que a fase seja diferente. Sobretudo, tem a árdua, mas boa, tarefa de se ressurgir!
Isto é ser Flamengo!
Topa?
Que bom, porque só os capacitados assumem esta missão.
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