domingo, 3 de março de 2013

Parabéns, seu Arthur!

Quisera eu poder ter 90 minutos de Zico em campo. Indiretamente, ele foi o responsável pela multiplicação rubro-negra que chegou até mim. Uns dizem que ele só não foi melhor que Pelé. Outros, nem se lembram do Edson, porque têm o Arthur. Como não terei o meu desejo atendido, os parabéns vão para o Zico ético, leal, que defende os valores e princípios do clube que ele ama. Injustiçado, Zico não temeu por sair de um cargo no qual sofria acusações. Sabia que não havia feito nada daquilo que o julgavam. Muito menos, que a Nação acreditaria em um grupo que nem da esfera ouviu falar e estava lá por interesses de poder. Assim, Zico não deixou dúvidas de que quer sempre o melhor para o clube. E o melhor para o clube, hoje, é celebrar seus 60 anos, Galo!
Não dimensiono o tamanho de Zico, mas projeto nos 15 minutos em que o Engenhão parou para ver os melhores momentos de Dejan Petkovic com a camisa do Flamengo. Pet, o maior do século XXI, arrancou gritos e lágrimas de 40 mil pessoas. Imagina o Galo? 
Não havia necessidade de estatuá-lo. Ele está na memória de cada um dos rubro-negros de 40, 50 anos hoje. Está na 10 mítica. Está na apreensão, como qualquer torcedor, no jogo de logo mais contra o Botafogo. 
Zico merece a festa. Da Nação e de outras torcidas. Pelo respeito ao clube que defendeu e aos clubes que ele enfrentou. Seu Arthur fez com que seu Vinicius transmitisse as cores que defendeu a este blogueiro. Por isso, muito obrigado! 

Muitas felicidades, muitos anos de vida! 


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Missão (Im) possível?


Gerir é uma ação que depreende diversas outras habilidades tão ativas quanto. Candidatar-se a uma gestão é, talvez, o maior desafio consigo mesmo, antes de estar a frente de um grupo. Pelo menos, é esta a experiência dos mandatários do Flamengo, pouco mais de um mês a frente do clube. Se empreender é um ato que envolve coragem, solidez e credibilidade, agir de forma empreendedora em um clube cujas crateras financeiras ultrapassam quaisquer expectativas negativas, mais ainda. Dentro destes três pontos, a chapa azul objetiva, antes de tudo, a reestruturação financeira do rubro-negro e é por eles que procuramos nos atentar a uma breve análise da embrionária gestão.
Eduardo Bandeira de Mello e Luiz Fernando Bapstista, o Bap, encontraram um clube no qual não apenas jogadores, mas funcionários não tinham seus compromissos cumpridos de forma legal. Como em uma empresa, a primeira medida é a de corte de gastos. A coragem com a qual fizeram e estão fazendo isto é assustadora em se tratando de Flamengo. Duas ações nos fazem caracterizá-la como tal: a dispensa de Vágner Love e o enxugamento dos esportes olímpicos. O primeiro, por se tratar da maior - e talvez única - estrela da companhia. O mais comum para o Flamengo seria negociar, negociar, negociar e continuar devendo. De forma sensata, foi apresentada ao jogador a situação do clube e ele saiu como qualquer outro trabalhador sairia, caso soubesse que não teria seu salário em dia; o segundo, por adotar uma medida que nenhum outro havia feito: parece-nos evidente de que, além do futebol, apenas o basquete traz algum retorno no mercado. E este ainda não é autossustentável. Sem estrelas, com pé no chão e coragem, foram-se Love e Cielo.
Quanto à solidez, esticamos a ótica a outros dois fatores emblemáticos do clube: a redução salarial - de imagens ou luvas, que seja - de Leonardo Moura e as contratações com um limite de gastos. O lateral, já há oito temporadas no clube, será peça-chave neste período de vacas magras, enquanto as contratações ainda não prometem, mas trazem em si uma carga de potencial que pode ir além das expectativas. Elias, Gabriel, João Paulo e, eventualmente, Carlos Eduardo estão longe de serem reforços de ponta, mas não podem ser desprezados tão facilmente.
Quando o assunto é credibilidade, outros dois componentes entram em cena: a experiência do grupo e a aliança com o conselho. Com o contrato às portas de ser assinado, a comitiva rubro-negra sentou, leu e deu sua posição à Addidas, nova fornecedora de material esportivo. Evidentemente que no fim das contas a fornecedora será mais beneficiada que o clube, mas alterar alguns pontos no contrato foi o primeiro grande feito dessa diretoria. Depois, um novo patrocinador e uma nova forma de pensar as marcas. Baptista consegue R$ 10 milhões pelos próximos 3 anos na calada da noite e antecipa o anúncio em um dia da aprovação do conselho deliberativo. Daí a importância de aliados em outras frentes.
Talvez não seja repleta de êxitos, mas a nova diretoria faz do Flamengo uma empresa em crise, conhecendo todas as formas legais de débitos, com um potencial de receita ainda grande e reconhecido no mercado. Basta seguir em frente!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Vestir Rubro-Negro

Entre amarelos-ouro e rosas, a missão dos azuis é bem mais complicada que a dos comandados de Abramovic. Eduardo Bandeira de Mello foi 'eleito' nesta segunda-feira, 2, presidente do Clube de Regatas do Flamengo e promete uma revolução na maneira de gerir o clube, baseado na experiência que ele e os companheiros de chapa adquiriram no ramo. Externos até determinado ponto ao que se passa nos bastidores sujos da gávea, os membros da chapa azul foram extremamente repudiados pelas panelas de pressão caseiras que lá se formam e explodem tanto que nem é preciso estar no Rio, nem torcer para o clube ou conhecê-lo por muito tempo.
Talvez seja nesse olhar de fora que a nova comitiva rubro-negra pode ser eficiente. As medidas pré-anunciadas desenham o foco do trabalho de Bandeira: o futebol. Dumbrovski continuou o mandato de Márcio Braga nessa linha, de forma desorganizada é verdade, mas conquistou um título, depois de o Flamengo ter conseguido 3º e 5º lugares nos campeonatos anteriores respectivamente.
É evidente que a estrutura fiscal, a estrutura econômica e a estrutura física precisam ser reformuladas para que haja reflexo no campo, mas não da forma amadora com a qual foi feita pela gestão 2010-2012. O embate com Zico talvez tenha sido a derrapada mais brusca, mas Patrícia já havia perdido o controle da comitiva ao delegar poderes a Capitão Léo e Helio Ferraz - que votou na chapa azul.
O desafio de Mello é um pouco mais além. Organizar a casa administrativamente e futebolisticamente. Na atual gestão - pelo menos até o dia 15 de dezembro - o rubro-negro conta um título estadual e nada mais, além de campanhas vexatórias de marketing para um clube que teve prejuízos enormes nas vendas a partir de julho de 2010.
Não conceder a ele o status de salvador da pátria - ou da nação - pode ser um primeiro passo muito interessante. Não haverá como avaliá-lo antes de 6 meses de gestão. O torcedor, que é impaciente por natureza, quer colher antes de plantar e muito provavelmente não entenderá isso de imediato, mas se propôs a vestir rubro-negro, almejando mudanças e uma forma moderna de ver o futebol, ainda que arraigado na ideia de que clube é clube e empresa é empresa. Será?


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Do nada???

Penso não ser necessário, amigo leitor, preencher a folha que vejo ser tomada com julgamentos sobre a decisão da entidade que atrasa o futebol brasileiro. A pergunta que nos motiva a escrever é: por que tão de repente esta demissão de Mano Menezes, quando todos davam a seleção no caminho certo para a solidez?
Uma das respostas pode ter vindo alguns dias depois. Com mandato de busca e apreensão da Polícia Federal na casa de Marco Polo Del-Nero, nada mais natural (para quem destrói o futebol, diga-se) que ligar o extintor e encobrir um suposto esquema com uma demissão inesperada. Tal atitude só aumenta as suspeitas e faz nascer evidências de que o sucessor de Ricardo Teixeira é, pasmem, mais sujo e mais corrupto que ele.
A outra resposta, esta mais coerente se pensarmos na relação hierárquica existente na confederação, pode ter surgido antes mesmo da final em Bombonera. Juntando as peças do quebra-cabeça, temos que, tão repentina quanto à demissão foi a convocação de Cavalieri e Fred para o superclássico. Absolutamente merecido pelo campeonato que ambos fizeram, mas os que acompanham o futebol sabem que Mano quase sempre foi muito conviccto nas posições táticas, técnicas e opinativas, demonstrando ser um estudioso do futebol e firme nas posições que assume enquanto pessoa. Pelo menos, aos que não seguem de perto, esta é a impressão das entrevistas. Isto nos faz ficar com uma pulga enorme atrás da orelha, que pode ser confirmada pelas declarações do Fred e as sutis réplicas de Mano quanto aos questionamentos do jogador.
Estranhamente, da água para o vinho, Fred aparece entre os titulares da seleção. Diante das sequência dos fatos, não há como, ao menos, duvidarmos de que tenham sido impostas as convocações de ambos, embora o caso do Fred seja mais emblemático.
Mano devia ter as razões dele para não o convocar, mas esbarrou na desorganizada confederação, que, inclusive, deve ter mandado a lista de batedores de pênalti junto à carta de demissão. Ou será que ele não foi demitido?

sábado, 18 de agosto de 2012

Entrevista - João Guilherme

Tudo de bom pra você que acompanha nosso Blog! Talvez fosse assim que João Guilherme narraria o início desta entrevísta, que ele concedeu de forma agradabilíssima. João fala da carreira, da casa, do novo desafio e das copas.

Fome de Gol F.C.: João, na minha geração, pelo menos – 1990 / 2000 – você é um dos narradores com mais jeito de rádio. Os bordões talvez me sirvam como argumento. Como tudo começou?

João Guilherme: Começou quando era criança em Niterói e ficava ouvindo radio, habito que adquiri por causa da minha mãe e do meu pai. Ali comecei a imitar o que ouvia narrando jogo de botão e depois me tornei o narrador dos jogos da escola e por aí foi. O radio é minha escola e a melhor forma de aprender a improvisar .

Fome de Gol F.C.: O volume da narração parece ser bem diferente. Qual é o segredo pra manter a voz vibrante durante os 90 minutos?

JG: O tempo de profissão lhe ensina a colocar a voz. A experiência ajuda muito e com o tempo se,descobre os atalhos. Dormir bem é fundamental para manter a voz firme e com o passar dos anos o narrador precisa se cuidar mais para manter o ritmo.

Fome de Gol F.C.: Guardo na memória – um com carinho, outro nem tanto – dois jogos narrados por você. O primeiro, curiosamente, nem tem tanta repercussão: Fla 1 x 0, em 2007, gol do estreante daquela noite, Maxi Biancuchi. (Teve Fla 3 x 1 Cruzeiro, também neste ano). O outro em 2012, com Fla x Lanús e Olímpia x Emelec. Mas qual, para você, foi o mais especial da carreira?

 JG: Esse agora da libertadores foi mais marcante por tudo que aconteceu e também por ser no inicio de uma nova fase profissional. Nao me recordo de ter visto uma situação como aquela, com um time se classificando e 1 minuto depois terminar eliminado.

Fome de Gol F.C.: De onde vem tanta inspiração para encontrar o “faz a festa a maior torcida do Brasil”, ou trechos dos hinos depois dos gols?

JG: Hino é uma coisa que gosto muito, fico ouvindo em casa e um dia pensei que poderia usar trechos dos hinos na narração dos gols. Achei que o torcedor do clube iria gostar e percebi que deu certo. Os bordões surgem naturalmente e o publico consagra o bordão. Quando começam a repetir o que você disse é que pegou.

Fome de Gol F.C.: É incômodo pra você ter o ‘Inacreditável’, o ‘Que desagradável’ – e até o próprio ‘É gol’ – como nomes de programa ou seção nos canais Globosat / Globo?

JG: De maneira nenhuma, é uma homenagem.

Fome de Gol F.C.: O que te levou a novos ares? Qual a principal diferença entre o futebol brasileiro e o europeu quando o assunto é narração?

JG: Depois de 15 anos no mesmo emprego, surgiu a chance de iniciar um grande projeto, o que me motivou muito. A narração da América do Sul é muito mais vibrante que a europeia.

Pessoal

Fome de Gol F.C.: Em casa, o que faz o João “parar tudo”?

JG: Meu filho João Filipe. 

Fome de Gol F.C.: Em dia de folga, é futebol na TV também?
JG: Atualmente, só se for um grande jogo. São muitos anos trabalhando nisso, então estou mais seletivo.

Fome de Gol F.C.: Tornar-se a voz do gol impede o narrador de torcer pelo seu time? É possível ser isento?

JG: O narrador tem o compromisso e a obrigação de ser isento e nunca distorcer os fatos.

Fome de Gol F.C.: Além do rei Roberto, o que mais toca no carro, João?

JG: Wilson Simonal ,flash back anos 70.

 Fome de Gol F.C.: E na cozinha? Quem manda e o que manda?

JG: Eu mando e me viro bem, cozinho qualquer prato, aliás, é um dos meus hobbys

Rapidinhas

Romário ou Ronaldo?
Ronaldo.

Seleção Brasileira?
 É a maior do mundo pela sua historia, atualmente é uma equipe que nao se encontrou e esta longe de ser a melhor.

Mano Menezes?
Chegou à seleção prematuramente, está perdido.

Neymar?
Ainda precisa provar muita coisa, mas, tem tudo para ser um dos maiores.

Muricy?
Bom treinador.

 José Carlos Araújo?
Um exemplo na profissão.

Maior que você viu? Osmar Santos, meu ídolo e maior narrador esportivo do Brasil.

Um jogo que gostaria de ter narrado?
A final de 70 Brasil 4 x 1 Itália.

Um jogo que não gostaria de ter narrado?
A tragédia do sarria Itália 3 x2 Brasil.

Rio 2014?
Será uma copa do nosso jeito, no improviso, mas, vai dar certo

Dica Cultural: Livro Anos 40, a década sem copa,de Roberto Sander. Fundamental para entender a origem do nosso futebol.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O falso 9?

São 34 minutos de um bom jogo no estádio olímpico João Havelange, mas assusta a falta que um homem de área faz ao esquema do Botafogo. Com velocidade, inteligência, cadência e armação, o time de General Severiano talvez tenha as quatro caracteríticas necessárias a um meio-campo criativo, embora o faça em vão. Oswaldo até tenta escalar um 9 para completar o esquema, mas o dono da camisa é, claramente, mais um meia. Elkesson até outro dia jogava aberto pela esquerda, e agora tem que se acostumar ao posto. O jogo caiu, é verdade. Ainda assim, mais clara ainda é a quantidade de oportunidades que não são construídas e concluídas em função de um falso 9. É a moda 2012 no futebol? Talvez seja, não para um time que teve um avante do calibre de Loco Abreu e um atacante de ponta de campo como Herrera. Então, se, desde o início, o time perde o ataque, quando perde o meio, depende das bolas longas de um diferenciado Seedorf. Na memória, uma vaga lembrança de um camisa 10 que só invertia bolas em um time sem atacantes fixos. Bolas nos flancos e... zaga do vasco. O número de passes até é inferior, se não fosse a ausência de uma pressão entre os defensores, isto se refletiria no volume e no resultado. A 15 minutos do fim, um meio campo com 11 jogadores - de ambos os times - não parece resultar em placar diferente na agrdável noite carioca. Até que... aos 41, o 9 - Pasmem - o 9 vascaíno garante a vitória cruzmaltina no clássico! Pode ser uma questão de adaptação. Pode ser uma questão de tempo. Pode ser tarde demais!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Bando de loucos: isto é um time equilibrado

Loucos mesmo. E, de fato, são um bando que não deixa nenhum bairro de nenhuma cidade dormir na madrugada de 5 de julho de 2012, mas o time é absolutamente equilibrado, frio, irritante para o adversário. No estádio municipal de São Paulo, o que se pareceu ter visto foi uma inversão de cores. A experiência amarela e azul vestia branco e preto e a pressão, o perder a cabeça, a bola que não se pode atravessar no meio da área, que só acontecia na Libertadores, ganhou cores. Convicto de seus objetivos, Adenor mandou o que tinha de melhor. O que tomara 4 gols até então na competição, o que eliminara o time de Neymar e companhia. Era este o melhor. Os protótipos de técnico pediam o menino que julgavam ser o amuleto da final, mas pareciam se esquecer de um 11 com estrela e e um 11 que, em 2010, tirou o Fluminense de um jejum de 27 anos e que fez um gol imprescindível na campanha. Num bate-rebate, truncado como a decisão, Danilo sem querer, querendo, colocou o 11 na frente do gol. Sem esitar, o sheik enriqueceu as esperanças do fim de uma angústia. O Boca, assistindo a tudo, fez-se de forte, mas sabia que não havia forças, como não havia idade para um Schiavi tentar atravessar uma bola no meio da área. Mais uma vez gelado, Emerson declarou a independência americana de um bando: exatamente no dia 4 de julho. E o equilíbrio?- perguntarão os mais atentos - está no número de chances criadas pelo adversário e na maturidade de dois homens, sem os quais nem o 11, muito menos os 11 chegariam lá: Ralf e Paulinho anularam o Boca, anularam as ruas, anularam o tabu. Enlouqueça, sabendo que seu time, corinthiano, é o mais equilibrado e, por isso, campeão da América!