Reformular opiniões, verificar conceitos e rever posições são atributos louváveis em qualquer ser humano. Eu os possuo e agradeço a Deus por isso.Tudo muito sociológico para um blog de futebol, sobretudo em tempos que o esporte tem se tornado mais jurídico que qualquer outra coisa.
Mas foi isso que me aconteceu desde 2010 e teve fim nesta terça-feira, 18/12/2013. Teimosamente, diga-se de passagem. O alvo era Pep Guardiola e o superbarça. Incontestáveis naquele ano. Será que no plural? Para mim, não. O time catalão trazia consigo a mesma base por 2 anos - quase 3 - e já se conhecia dentro de campo. Nada mais natural que trabalharem a bola sistematicamente como vimos. O técnico, então, era um mero coadjuvante, como viera a ser Carpegiani em 1981, comandando a companhia de Zico.
Tudo era tão trabalhado no Barça que Pep Guardiola parecia apenas ser um espectador privilegiado, pensava este que o escreve. Até que o catalão assumiu o tão competente quanto, Bayern de Munique. O implicante aqui tinha como justificativa própria o fato de que era fácil assumir um time multicampeão. E é. O problema está na eficiência de se implantar o esquema de jogo de um time em outro. E Guardiola tem conseguido isso dia a dia.
Já não estou mais convencido de que era só o Barça que jogava pelas próprias pernas (habilidosíssimas, de Xavi, Messi e Iniesta). Os alemães jogam no mesmo ritmo, com toques curtos e aproximações em velocidade, cercam o adversário, atacam pressionando o tempo todo. É frenético o ritmo do atual campeão europeu.
Como eu entendi o mesmo esquema? Rafinha e Allabah ultrapassam os meias a todo momento. Phillip Lahm, veterano que é, cadencia um meio-campo com Kross (ora, Robben), Ribery, (ora Schweinsteiger) Tiago Alcântara e Müller (ora, Götze). Tudo sincronizado!
Alcântara parece ser a peça-chave dessa nova fase. Já está inteiramente habituado com o estilo do treinador. O catalão ainda mostrou mais uma qualidade que não tínhamos descoberto - e aí não por implicância, mas por falta de opções no Barcelona: abandonar o falso 9. Mandzukic é muito importante para a proposta de jogo do Bayern.
O romântico treinador, admirador explícito do futebol brasileiro e da seleção de 82, dá mostras mais que sociológicas de que reconhecer o trabalho de alguém e mudar de opinião não fazem mal a ninguém diante da constatação dos fatos. Aliás, muito pelo contrário.
Nota: Muito obrigado a você que ajudou este blog a atingir a marca de 2000 visualizações! Continue por aqui e comente na caixinha abaixo.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
A vingança cabralina do filho caçula
Dormi revoltado, como todos que gostam de futebol e o levam a sério. Não pelo cumprimento da lei friamente, mas porque houve mais que o campo. Existiram interesses claros em beneficiar quem retorna mais capital à televisão e às bilheterias.
A Lusa?
O modernista Oswald de Andrade cunhou o clássico poema Erro de Português:
A Lusa?
O modernista Oswald de Andrade cunhou o clássico poema Erro de Português:
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
Ao findar da 39ª rodada, em 2013, poderia ter escrito:
Quando a portuguesa chegou
Debaixo de três cores
Vestiu o (papel) de índio
Que pena! Não fosse uma tarde tricolor
A portuguesa tinha vestido o Fluminense.
Ah, Fluminense, você, que jogaria onde tivesse sido determinado, manifestou interesse em participar e influenciar diretamente no julgamento que culminou com o rebaixamento da Lusa. Não me venha com essa de que se beneficiou pela culpa dos outros e, por isso, está isento dela. Como brilhantemente comparou minha amiga celeste Ana Luíza: isso é sintoma de irmão caçula.
E você, Flu, já está bem velhinho para vingar Cabral e sua expedição 513 anos depois.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
A escolha do Grêmio
De repente, leio que Renato Gaúcho não é mais o técnico do Grêmio. Só por esta parte da notícia, a diretoria chefiada por Fábio Koeff merecia aplausos. Renato fez o trivial em um time que tinha o que render, armou um sistema com três volantes que teve serventia a curto/médio prazo e escorregou em jogos nos quais se exigia mais daquele time que merecia aplausos, segundo o treinador.
Porém, não é pelas questões táticas, apenas, que a decisão do time gaúcho é amplamente acertada. Com status de estrela, pelo que representa ao clube, Renato raras vezes se mostrou grato ao torcedor. Pelo contrário, foi exigente, ríspido e dono da verdade. Pautado por uma arrogância que, se um dia se justificasse, seria pelo vice-campeonato de uma Taça Libertadores, o treinador parecia estar disputando o campeonato contra o Barcelona quando o Cruzeiro abria e pensava estar dirigindo o Bayern de Munique quando alargava minimamente a vantagem entre os quatro primeiros colocados.
Não bastasse isso, era dotado de uma afronta ao deixar Zé Roberto muitas vezes no banco, como que dizendo: "Aqui mando eu". O meia, de 40 anos, não precisava disso para mostrar que tinha - e tem - futebol. Para encerrar o ano, na última entrevista coletiva, o treinador disse a todos os microfones que lá estavam, perguntado sobre a possibilidade de uma renovação: "A partir de hoje estou de férias. O presidente tem meu telefone."
Não, não é o Alex Ferguson! E - mais ainda - o Grêmio não precisa de um indivíduo que se considera acima do bem e do mal.
Na mesma notícia, leio que Enderson Moreira é o novo comandante do Imortal. Outros tantos aplausos! Com um trabalho excepcional a frente do Goiás, Enderson merecia uma chance em um time renomado. É bem verdade que terá um grupo dificílimo na principal competição do continente, mas o novo professor dará fôlego e humildade a um time copeiro. Como um bom mineiro, o ex-técnico do Fluminense e da base do agora rival, Internacional, sabe muito e fala pouco. Assume com a motivação de um principiante e com a experiência de um veterano.
Com algumas peças pontuais, o torcedor imortal pode se preparar para ir muitos quilômetros a pé!
Sorte ao Enderson. Sorte ao time que procurar por Renato!
Além do legal ou do justo
A 39ª rodada começa logo mais. Ninguém a esperava e ela reservou, ao longo desses dias, um debate dos mais recorrentes do campo jurídico. O que é mais correto: o legal ou o moral?
À letra da lei, a Portuguesa deve ser punida conforme a sanção prevista pelo CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva). Contudo, parece mais do que reiterado que o futebol transcende a frieza do tribunal. Que o time paulista teve representante no julgamento do meia Héverton e, com isso, estava notificada é certo. Entretanto, a motivação do erro pode ser só uma invenção deste autor, mas soou estranha a seguinte declaração do advogado da Lusa, Sr. Osvaldo Sestário, quando perguntado sobre a postura da diretoria em relação ao caso, no Canal Esporte Interativo no último sábado: "Tenho uma relação ótima com o Sr. Manuel da Lupa e me parece que quem está questionando nosso trabalho é a equipe do presidente eleito, por isso, prefiro não entrar no mérito".
A declaração, é bem verdade, não fora mais explorada, mas traz um caráter político interno questionável. A atual gestão não estaria se importando com os procedimentos tomados no caso por estar de saída do clube ao fim deste ano? O advogado defende os interesses do clube ou dos gestores que lá estão?
Outro ponto interessante é a forma como ele se dirige à pessoa que o acompanhava no momento do julgamento. Ou melhor, as formas. À ESPN Brasil, deixou escapar que estava acompanhado de uma estagiária, responsável pelo arquivamento dos dados de cada julgamento. Ao Esporte Interativo, foi claro ao dizer que sua companheira no tribunal era sua secretária. Irrelevante? Parece. A incompetência é mais evidente na primeira situação, dada a proporção que o fato tomou.
O time do Canindé pode ser rebaixado logo mais por motivos que transcendem a legalidade ou a moralidade e podem estar ali mesmo: dentro da sede de um clube que tem o sobrenome de Desportos.
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
E você? É?
O tricolor Nelson Rodrigues disse: "Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia". Melhor é ser Flamengo todos os instantes, todos os dias. Lá, não se discute planejamento e estrutura, pelo menos nas arquibancadas. O que se discute é a postura do time em 90 minutos frente aos tantos mil e outros mais milhões reunidos no Brasil.
Lá, não se discute a importância de um estádio próprio. Afinal, "O Maraca é nosso", cantam. E se não for, os estádios visitantes os são. Longe de debater tática, o que se cobra é a disposição em fazer da bola o principal instrumento de felicidade de uma Nação.
Este substantivo é tão arraigado ao clube, que se decidiu comemorar o aniversário com a proclamação da República, que quer dizer: (1) A coisa pública. (2) A comunidade dos cidadãos. (3) Forma de governo em que o povo exerce a sua soberania por intermédio dos seus representantes e por tempo fixo.
Talvez nenhuma palavra tenha tanto significado similar ao do Clube de Regatas do Flamengo. Sem frescura, sem "mimimi", o separatista Flamengo, aos 118 anos, dá mostras de como é autossustentável e tem 30 mil ingressos vendidos contra Procon e outros órgãos impedidores de uma nação que caminha para carregar o clube em mais uma decisão.
Na república Rubro-Negra, o Marechal é Zico, os presidentes se dividem e o carro-chefe é o povo e o voto, pró ou contra, existe. É o que, em outras palavras, quis dizer o revolucionário Nelson Rodrigues.
E você? É? Parabéns!
Lá, não se discute a importância de um estádio próprio. Afinal, "O Maraca é nosso", cantam. E se não for, os estádios visitantes os são. Longe de debater tática, o que se cobra é a disposição em fazer da bola o principal instrumento de felicidade de uma Nação.
Este substantivo é tão arraigado ao clube, que se decidiu comemorar o aniversário com a proclamação da República, que quer dizer: (1) A coisa pública. (2) A comunidade dos cidadãos. (3) Forma de governo em que o povo exerce a sua soberania por intermédio dos seus representantes e por tempo fixo.
Talvez nenhuma palavra tenha tanto significado similar ao do Clube de Regatas do Flamengo. Sem frescura, sem "mimimi", o separatista Flamengo, aos 118 anos, dá mostras de como é autossustentável e tem 30 mil ingressos vendidos contra Procon e outros órgãos impedidores de uma nação que caminha para carregar o clube em mais uma decisão.
Na república Rubro-Negra, o Marechal é Zico, os presidentes se dividem e o carro-chefe é o povo e o voto, pró ou contra, existe. É o que, em outras palavras, quis dizer o revolucionário Nelson Rodrigues.
E você? É? Parabéns!
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Nem um pouco mano
Quando chegou ao Flamengo, a proposta era explícita: o trabalho a longo prazo. Confiança de executivos e presidentes, promessas de salários em dia e Mano Menezes tinha tudo que um profissional de futebol deseja. Ou quase tudo.
É bem verdade que o time do Flamengo é limitado. Muito limitado, aliás. O comandante sabia disso. É como o professor que entra na sala reclamando do quanto ganha e recebe o devido contra-argumento: 'E você escolheu por que?'
Da saída também não muito às claras da CBF, Mano Menezes viu o Flamengo como uma oportunidade para se lançar de volta ao mercado. Contido nas palavras, o técnico gaúcho deu padrão de posicionamento à bagunça encontrada depois da saída de Jorginho. Altos e baixos, mas ele - repito - sabia e mencionou isso em diversos momentos.
Talvez soubesse também o momento de deixar o clube. Só não permitiu que os outros soubessem, tampouco por que. Sem permitir perguntas, o treinador disse não ter conseguido passar sua filosofia ao grupo. Pouco demais para quem acreditou em uma filosofia de trabalho em construção no clube.
Mano não foi nem um pouco mano e deixou o rubro-negro à deriva. Estará - ainda mais - indo de encontro à postura se daqui a alguns dias assumir um novo trabalho.
A questão que fica é para se pensar acompanhando os desdobramentos: o técnico reclama de falta de continuidade no trabalho, mas quando a tem, pode interrompê-lo a qualquer momento?
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Além do Horizonte
Se você não viu, não vai entender. Se você viu, vai demorar a entender. O Clube Atlético Mineiro e a Taça Libertadores da América disseram um para o outro: "Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz". Mas haja tribulação para atingir a paz.
Oitavas de final. Fácil? São Paulo, o Soberano, dominou o jogo e o noticiário até os 20 minutos do primeiro tempo. Lúcio expulso. Você lembra? A massa sim! Depois disso, R10 mostrou que não era treino e Tatatardelli deixou o Atlético bem perto das quartas. E de outras quartas...
Na outra quarta, show! Se existiu enredo dramático, existiu alívio por um momento. Incontestável, o time de Jô e Bernard despachou o tricampeão. E a Taça? Sussurrava: "Onde eu possa encontrar a natureza, alegria e felicidade com certeza". E o Galo foi até a natureza. A quase 3000 m de altitude. 2 a 2, com critério de desempate, tá tudo certo, certo?!
Na volta das quartas, um time nervoso, sem necessidade alguma. Era com certeza! Nem tanto... Aos 43, pênalti. Victor, em um dos momentos mais épicos, faz um gol sem sair do gol. E a Taça? Mandou o recado: "Lá nesse lugar o amanhecer é lindo, com flores festejando mais um dia que vem vindo." O amanhecer foi mesmo bonito e cheio de felicidade para o torcedor. Para os incrédulos, nem tanto.
Vieram as Confederações, e a Taça tinha o discurso decorado: "Aproveitar a tarde sem pensar na vida, andar despreocupado sem saber a hora de voltar".
Chegou a semifinal. Com ela, um 0-2 incontestável em Rosário. Você acreditou? A massa sim. Na volta, jogo chato, enroscado. Gol no início e mais nada. Até que a luz apagou e ela - a Taça - reiterou: "Andar despreocupado sem saber a hora de voltar". Voltaram. O time, a massa e a história. 48 do segundo tempo, Guilherme e pênaltis. Ele estava lá outra vez. Victor garantiu uma final inédita. "Caiu no horto tá morto."
Que horto? Não tinha mais horto e isso era só mais um aviso: "Gozar a liberdade de uma vida sem frescura."
O Galo nunca precisou se limitar a estádio algum. Estava livre para o encontro no maior estádio de Minas. Sem justificativas!
No Del Chaco, doeu. Gol no fim outra vez e outro 0-2. Mas nada parece ter abalado. Ela veio outra vez e disse: "se você não vem comigo nada disso tem valor, de que vale o paraíso sem o amor. Se você não vem comigo, tudo isso vai ficar no horizonte esperando por nós dois..."
Haja espera. 45 minutos e nada. Bastaram 50 segundos para se deitarem no campo. Jô, como Fred, abriu o placar. Alguma dúvida? A massa não teve. Longos 41 minutos se passaram. E ela, na cabeça de Leonardo Silva, gritou: "Além do horizonte, existe um lugar bonito e tranquilo pra gente se amar."
Além do horizonte. Além de Belo Horizonte. Victor e a trave foram novos roteiros da epopeia. A Taça e o Galo tinham um encontro marcado! Além do Horizonte!
Parabéns, Clube Atlético Mineiro: Campeão da América.
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