quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Faz tempo...

Hoje é um dia histórico para o torcedor botafoguense: o Botafogo de Futebol e Regatas volta a disputar uma partida válida pela taça Libertadores da América 18 anos depois. Não adianta argumentar que se trata da fase anterior a de grupos, pois a euforia dá um banho daqueles que só o futebol conhece.

Desde 1996, quando o glorioso fora campeão brasileiro, muita coisa mudou. Dentro do futebol e fora dele. O recuo ainda podia ser pego com as mãos, os acréscimos não eram mostrados a todos no estádio, existia "Golden Goal", a máquina do governo mudou de mãos, os Estados Unidos já viram as torres no chão e o primeiro presidente negro e tantas outras coisas.

Para eles, nem parece tanto tempo assim. Coincidentemente, na manhã do trabalho, tive a chance de me encontrar com dois botafoguenses no corredor. Ambos, certamente, eram muito crianças em 96. O sorriso no rosto e o alívio de "Ufa, chegou" estavam visíveis. Um deles bradou: "Seremos campeões." Disse que precisava voltar ao trabalho. Voltei, mas o entusiasmo dele me fez pensar o quanto tempo faz e como a diretoria deveria ter cuidado melhor desse time.

O que vai acontecer em Quito? Não sabemos. Tampouco na próxima semana. Mas essa semana mágica para o time de General Severiano não acontece faz tempo. Muito tempo!  

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Um aluno relaxado

Há tempos faço uma comparação bastante prática, corriqueira na vida de milhares de milhões de pessoas e que, mesmo quem não fora constantemente assim, vez ou outra agiu dessa forma, para ilustrar a situação do Brasil diante dos mega-eventos esportivos. Trata-se de um aluno que tem duas provas na mesma semana.
Na dúvida entre se preparar para a primeira ou focar a segunda, quem nunca chegou mal preparado para, pelo menos, uma?

Pois é. O governo brasileiro aceitou o desafio. Copa do Mundo e Jogos Olímpicos em um intervalo de 2 anos. Inflamada pelo bom momento econômico pregado pelo mandatário e anestesiada pelo envolvimento patriota do brasileiro, a comitiva recebeu a matéria há 7 anos do teste. Sim! 7 anos!
No conjunto das disciplinas estava a construção de 12 estádios - embora seja simples, como outrora disse a sucessora -, a reforma de aeroportos, a construção de um trem-bala, infra-estrutura capaz de garantir uma mobilidade urbana à altura dos eventos. Fácil? Definitivamente não. Mas o assunto estava lá. Todos concordaram. E...

Quanto à copa, não é culpa dela a falta de educação - em todos os sentidos -, a precaridade de atendimento à saúde, a baixa qualidade de vida. Isso, na minha terra, chama-se falta de organização. Enumerar os não-cumprimentos do evento que poderia gerar um retorno financeiro pomposo, além de um legado sólido, é chover no molhado.

A comparação foi confirmada pelas imagens divulgadas na última semana. Pasmem! A quase 18 meses dos jogos olímpicos, o que vimos não foi nem um protótipo de um Centro Olímpico minimamente decente. O Brasil do crescimento, do baixo índice de desemprego, da propaganda da inclusão social na educação em horário nobre, parece ter se esquecido completamente da segunda prova. Quem usufruiu da Lagoa Rodrigo de Freitas disse não existir condições de se disputar uma prova por lá. Nem agora, tampouco nos jogos.

Você já foi assim? Ficou de recuperação? Mande um e-mail ao Palácio do Planalto. Não ficou? Envie o sufoco para o mesmo e-mail. Seu país pode estar se comportando como um aluno relaxado.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pep e seu ensinamento sociológico

Reformular opiniões, verificar conceitos e rever posições são atributos louváveis em qualquer ser humano. Eu os possuo e agradeço a Deus por isso.Tudo muito sociológico para um blog de futebol, sobretudo em tempos que o esporte tem se tornado mais jurídico que qualquer outra coisa.

Mas foi isso que me aconteceu desde 2010 e teve fim nesta terça-feira, 18/12/2013. Teimosamente, diga-se de passagem. O alvo era Pep Guardiola e o superbarça. Incontestáveis naquele ano. Será que no plural? Para mim, não. O time catalão trazia consigo a mesma base por 2 anos - quase 3 - e já se conhecia dentro de campo. Nada mais natural que trabalharem a bola sistematicamente como vimos. O técnico, então, era um mero coadjuvante, como viera a ser Carpegiani em 1981, comandando a companhia de Zico.

Tudo era tão trabalhado no Barça que Pep Guardiola parecia apenas ser um espectador privilegiado, pensava este que o escreve. Até que o catalão assumiu o tão competente quanto, Bayern de Munique. O implicante aqui tinha como justificativa própria o fato de que era fácil assumir um time multicampeão. E é. O problema está na eficiência de se implantar o esquema de jogo de um time em outro. E Guardiola tem conseguido isso dia a dia.

Já não estou mais convencido de que era só o Barça que jogava pelas próprias pernas (habilidosíssimas, de Xavi, Messi e Iniesta). Os alemães jogam no mesmo ritmo, com toques curtos e aproximações em velocidade, cercam o adversário, atacam pressionando o tempo todo. É frenético o ritmo do atual campeão europeu.

Como eu entendi o mesmo esquema? Rafinha e Allabah ultrapassam os meias a todo momento. Phillip Lahm, veterano que é, cadencia um meio-campo com Kross (ora, Robben), Ribery, (ora Schweinsteiger) Tiago Alcântara e Müller (ora, Götze). Tudo sincronizado!
Alcântara parece ser a peça-chave dessa nova fase. Já está inteiramente habituado com o estilo do treinador. O catalão ainda mostrou mais uma qualidade que não tínhamos descoberto - e aí não por implicância, mas por falta de opções no Barcelona: abandonar o falso 9. Mandzukic é muito importante para a proposta de jogo do Bayern.

O romântico treinador, admirador explícito do futebol brasileiro e da seleção de 82, dá mostras mais que sociológicas de que reconhecer o trabalho de alguém e mudar de opinião não fazem mal a ninguém diante da constatação dos fatos. Aliás, muito pelo contrário.



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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A vingança cabralina do filho caçula

Dormi revoltado, como todos que gostam de futebol e o levam a sério. Não pelo cumprimento da lei friamente, mas porque houve mais que o campo. Existiram interesses claros em beneficiar quem retorna mais capital à televisão e às bilheterias.
A Lusa?
O modernista Oswald de Andrade cunhou o clássico poema Erro de Português:

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Ao findar da 39ª rodada, em 2013, poderia ter escrito: 

Quando a portuguesa chegou
Debaixo de três cores
Vestiu o (papel) de índio
Que pena! Não fosse uma tarde tricolor
A portuguesa tinha vestido o Fluminense.

Ah, Fluminense, você, que jogaria onde tivesse sido determinado, manifestou interesse em participar e influenciar diretamente no julgamento que culminou com o rebaixamento da Lusa. Não me venha com essa de que se beneficiou pela culpa dos outros e, por isso, está isento dela. Como brilhantemente comparou minha amiga celeste Ana Luíza: isso é sintoma de irmão caçula. 

E você, Flu, já está bem velhinho para vingar Cabral e sua expedição 513 anos depois.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A escolha do Grêmio


De repente, leio que Renato Gaúcho não é mais o técnico do Grêmio. Só por esta parte da notícia, a diretoria chefiada por Fábio Koeff merecia aplausos. Renato fez o trivial em um time que tinha o que render, armou um sistema com três volantes que teve serventia a curto/médio prazo e escorregou em jogos nos quais se exigia mais daquele time que merecia aplausos, segundo o treinador.

Porém, não é pelas questões táticas, apenas, que a decisão do time gaúcho é amplamente acertada. Com status de estrela, pelo que representa ao clube, Renato raras vezes se mostrou grato ao torcedor. Pelo contrário, foi exigente, ríspido e dono da verdade. Pautado por uma arrogância que, se um dia se justificasse, seria pelo vice-campeonato de uma Taça Libertadores, o treinador parecia estar disputando o campeonato contra o Barcelona quando o Cruzeiro abria e pensava estar dirigindo o Bayern de Munique quando alargava minimamente a vantagem entre os quatro primeiros colocados.

Não bastasse isso, era dotado de uma afronta ao deixar Zé Roberto muitas vezes no banco, como que dizendo: "Aqui mando eu". O meia, de 40 anos, não precisava disso para mostrar que tinha - e tem - futebol. Para encerrar o ano, na última entrevista coletiva, o treinador disse a todos os microfones que lá estavam, perguntado sobre a possibilidade de uma renovação: "A partir de hoje estou de férias. O presidente tem meu telefone."

Não, não é o Alex Ferguson! E - mais ainda - o Grêmio não precisa de um indivíduo que se considera acima do bem e do mal.

Na mesma notícia, leio que Enderson Moreira é o novo comandante do Imortal. Outros tantos aplausos! Com um trabalho excepcional a frente do Goiás, Enderson merecia uma chance em um time renomado. É bem verdade que terá um grupo dificílimo na principal competição do continente, mas o novo professor dará fôlego e humildade a um time copeiro. Como um bom mineiro, o ex-técnico do Fluminense e da base do agora rival, Internacional, sabe muito e fala pouco. Assume com a motivação de um principiante e com a experiência de um veterano.

Com algumas peças pontuais, o torcedor imortal pode se preparar para ir muitos quilômetros a pé!
Sorte ao Enderson. Sorte ao time que procurar por Renato!

Além do legal ou do justo

A 39ª rodada começa logo mais. Ninguém a esperava e ela reservou, ao longo desses dias, um debate dos mais recorrentes do campo jurídico. O que é mais correto: o legal ou o moral?
À letra da lei, a Portuguesa deve ser punida conforme a sanção prevista pelo CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva). Contudo, parece mais do que reiterado que o futebol transcende a frieza do tribunal. Que o time paulista teve representante no julgamento do meia Héverton e, com isso, estava notificada é certo. Entretanto, a motivação do erro pode ser só uma invenção deste autor, mas soou estranha a seguinte declaração do advogado da Lusa, Sr. Osvaldo Sestário, quando perguntado sobre a postura da diretoria em relação ao caso, no Canal Esporte Interativo no último sábado: "Tenho uma relação ótima com o Sr. Manuel da Lupa e me parece que quem está questionando nosso trabalho é a equipe do presidente eleito, por isso, prefiro não entrar no mérito".
A declaração, é bem verdade, não fora mais explorada, mas traz um caráter político interno questionável. A atual gestão não estaria se importando com os procedimentos tomados no caso por estar de saída do clube ao fim deste ano? O advogado defende os interesses do clube ou dos gestores que lá estão?
Outro ponto interessante é a forma como ele se dirige à pessoa que o acompanhava no momento do julgamento. Ou melhor, as formas. À ESPN Brasil, deixou escapar que estava acompanhado de uma estagiária, responsável pelo arquivamento dos dados de cada julgamento. Ao Esporte Interativo, foi claro ao dizer que sua companheira no tribunal era sua secretária. Irrelevante? Parece. A incompetência é mais evidente na primeira situação, dada a proporção que o fato tomou. 
O time do Canindé pode ser rebaixado logo mais por motivos que transcendem a legalidade ou a moralidade e podem estar ali mesmo: dentro da sede de um clube que tem o sobrenome de Desportos.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

E você? É?

O tricolor Nelson Rodrigues disse: "Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia". Melhor é ser Flamengo todos os instantes, todos os dias. Lá, não se discute planejamento e estrutura, pelo menos nas arquibancadas. O que se discute é a postura do time em 90 minutos frente aos tantos mil e outros mais milhões reunidos no Brasil. 
Lá, não se discute a importância de um estádio próprio. Afinal, "O Maraca é nosso", cantam. E se não for, os estádios visitantes os são. Longe de debater tática, o que se cobra é a disposição em fazer da bola o principal instrumento de felicidade de uma Nação. 
Este substantivo é tão arraigado ao clube, que se decidiu comemorar o aniversário com a proclamação da República, que quer dizer: (1) A coisa pública. (2) A comunidade dos cidadãos. (3) Forma de governo em que o povo exerce a sua soberania por intermédio dos seus representantes e por tempo fixo.
Talvez nenhuma palavra tenha tanto significado similar ao do Clube de Regatas do Flamengo. Sem frescura, sem "mimimi", o separatista Flamengo, aos 118 anos, dá mostras de como é autossustentável e tem 30 mil ingressos vendidos contra Procon e outros órgãos impedidores de uma nação que caminha para carregar o clube em mais uma decisão. 
Na república Rubro-Negra, o Marechal é Zico, os presidentes se dividem e o carro-chefe é o povo e o voto, pró ou contra, existe. É o que, em outras palavras, quis dizer o revolucionário Nelson Rodrigues.
E você? É? Parabéns!