terça-feira, 4 de novembro de 2014

Conhecer limitações para desconhecer limites

       "Nosso pojeto continua sendo sair da confuxão, tá xerto?". Vanderlei Luxemburgo foi enfático na coletiva de imprensa e, desde que chegou ao Flamengo, tem priorizado pelo discurso simples, que soa como uma maquiagem do que acontece no vestiário, para jogar os tais sacos de cimento nas costas dos adversários. Sobretudo, nos melhores.

       O Flamengo de hoje tem um mérito: Reconhecer suas limitações e jogar em função delas. Em nenhum momento, foi um time de sufoco, intensidade e pressão na saída de bola no primeiro jogo da semi-final da Copa do Brasil. Pelo contrário, procurou não dar campo ao Atlético-MG, mas não se importou que o Galo ficasse com a bola, ainda que em seus domínios. 

       Apostando as fichas nas laterais, que contaram com atuações seguras de Léo Moura e João Paulo, o Fla foi mais incisivo. Nada que significasse um domínio evidente de jogo. Luxa outra vez optou por um time sem centroavante, prejudicando Eduardo da Silva, mas fortalecendo a primeira linha de marcação.

       Combatendo o ataque e distribuindo bem a bola na metade do gramado, o atual campeão se valeu disso para achar Gabriel antes de sofrer falta. Os mais exaltados pediram pênalti. No desenrolar da cobrança, Victor Cáceres, o jogador mais regular desde que Vanderlei voltou à Gávea, subiu e fez. 

       Luz vermelha. Em torno do Maracanã e na cabeça do treinador. Sai Canteros; entra Amaral. Mais que nunca, o Fla passou o recado: "Conseguimos o objetivo". Isso é feio? Não quando se tem um time feio, que, mesmo assim, se aproveita de lampejos. Gabriel deu cor à zaga atleticana. Só não se esperava que ele saísse dos contornos desenháveis até encontrar Josué, que fez falta de cabeça. Dentro da área. Chicão bateu e trouxe a vantagem. 

       Vantagem? As principais vantagens do Flamengo atual são o entendimento do que cada um pode render e a unificação do discurso. Todos os jogadores transmitiram a ideia que o "pofexô" tem na caixa dele hoje e que havia sido citado na coletiva. Palavras como "confusão", "prioridade" e "humildade" foram lições de casa. Assim como o resultado no Maracanã.

  

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Fla x Galo: Uma semi massa das massas!

       O último pensamento antes do travesseiro foi este: que semifinal de massa! O Galo só chegou lá por causa da apaixonada e apaixonante torcida que tem empurrando ao som de "Eu acredito!", que ecoou mais forte com a escolha do Mineirão.

       O Mengo, se não empolgou ontem, vem sendo carregado pela Nação desde a chegada do "Pofexô", justamente contra o Atlético. Com pouco mais de 40 mil pessoas no Maraca, o Rubro-Negro jogou com a lei do menor esforço e, sofrendo, foi o que menos sofreu na noite.

       Fla e Galo remontam confrontos os quais amam ser lembrados por torcedores de ambas as partes. Pergunte ao rubro-negro mais próximo qual o adversário preferido dele sem considerar os cariocas. Faça o mesmo com atleticanos. Com Campeonato Brasileiro e Taça Libertadores no histórico de decisões, viradas e polêmicas, a Copa do Brasil quase não é lembrada, mas tem seu capítulo reservado.

       Foi em 2006, ano em que o Flamengo conquistou seu segundo título do torneio. Os times se enfrentaram pelas Quartas de final e o Fla não tomou conhecimento do time mineiro na primeira partida. 4 a 1 no Maracanã, vantagem suficiente para empatar sem gols no jogo da volta, no Mineirão.

       Em 2014, o Fla tenta o tetra e o bi consecutivamente, enquanto o Galo vai em busca da conquista inédita. A disputa, com data marcada para o próximo dia 29, começa mesmo na próxima sexta-feira, quando serão sorteados os mandos de campo. 

       Com duas torcidas que carregam o time, a ordem dos mandos pode ser o começo de uma sentença de eliminação e a certeza de que não há favoritos. Não pelo que se vê dentro de campo, mas pela capacidade das massas transformarem resultados. Será, sim, uma semifinal das massas! 

       

       

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

De vitórias e vi(c)tores

Tão acostumado a vitórias, o Flamengo se viu refém duplamente neste fim de semana por um nome cujo significado é vencedor. Mais cedo, na Arena da Barra, o time mais vitorioso do basquete brasileiro duelou com o hexacampeão europeu Maccabi Tel-Aviv tendo de vencer por três pontos.

Só sobrou quando Vitor Benite colou no ótimo Pargo, americano exímio chutador de três pontos. Em cima dele, Vitor o impediu no último quarto, quando o Fla abriu 10 pontos e se sagrou campeão mundial de Basquete (Fiba).

Mais tarde, sem outro Vi(c)tor, o Fla se mostrou defensivamente desequilibrado. Desta vez na Fonte Nova, onde o time de Vanderlei Luxemburgo fora inconsistente em boa parte dos 90 minutos. Luz de alerta. Era Cáceres, o paraguaio que ostenta uma série de 10 jogos sem perder, sendo ainda substituído quando o Rubro-Negro vencia o Palmeiras.

Para um time que é magnético por vitórias, não se estranha a dependência por jogadores com mesmo radical com variações linguístico-geográficas.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Levantou Poeira

Quarta-feira à noite, jogo contra o Atlético Mineiro, promessa de casa cheia. Não há como não lembrar de 2003. Se a memória ainda ajuda sem o Google, foi em uma quinta-feira de novembro que pude compreender a rivalidade entre o Urubu e o Galo. Naquela noite, meu pai viajava a trabalho e o rádio era a única companhia. Nas ondas dele, com Luiz Penido, vibrei com Andrezinho e Zé Carlos virando o jogo nos minutos finais ao som de "Levantou poeira" no Maraca. 3 a 2!

Desde então, jogo contra o Atlético tem que ser levado a sério. O desta quarta foi. Carregados pela torcida, em considerável inferioridade em relação a 2003 pelo padrão das arenas, o Fla viu que sua maior força neste campeonato vem das arquibancadas. Mais de 40 mil rubro-negros pagaram pra ver. 

Em campo, disposição, raça, organização defensiva e pouquíssima qualidade no campo ofensivo. Cáceres e Canteiros cercavam como típicos volantes, mas na tomada de bola, nada de continuidade. Foi então que, subitamente, após um lance de perigo, aos 10 minutos do segundo tempo, a Nação entendeu que ela precisava ser a continuidade. 

Perdendo por 1 a 0, o rubro-negro sufocou mais pelo barulho que pela confiança. Aos 20, Eduardo da Silva, ou só Eduardo - talvez Eduardovic - entrou na área e foi derrubado. Pênalti. Léo Moura, contando com o "Sobrenatural de Almeida", deixou tudo igual. 

Se a massa já se fazia ecoar, o volume aumentou. A intensidade também. Bastaram 5 minutos de espera para que o croata desempatasse. A polivalência que vinha das arquibancadas era suficiente para atuar defensivamente em campo, coordenando movimentos de ataques sonoros fora dele.

Uma vez mais contra o mesmo Atlético-MG, o Maracanã testemunhou que a torcida do Flamengo levantou poeira e que, com ela, o time é muito capaz de dar a volta por cima.



quinta-feira, 24 de julho de 2014

E agora, professor?

O Flamengo, poucas vezes nos últimos 5 anos, viveu uma semana tão conturbada. Com um detalhe: ela está a 2 dias e algumas horas de acabar. Desde a previsível derrota e do imprevisível futebol apresentado foi um combo de ações impensadas. Agressão a jogador, rescisão comunicada e desmentida, diretor de futebol "não sabendo" da dispensa ao jogador, Presidente do clube garantindo a permanência do jogador e do técnico. Três longos dias depois, demissão em comum acordo e Ney Franco, com 7 partidas sem vitória, desejou sorte ao clube. De todos os envolvidos, a parcela dele é a menor, o que não significa que seja pequena.

Na mesma manchete que anunciava a demissão, estava o nome do "novo técnico": Vanderlei Luxemburgo. Racionais e passionais fervilharam suas opiniões e este escritor, que veste as mesmas cores de Luxa quando ele não tem comissão técnica ativa, listou pontos positivos e negativos que a contratação pode render ao Fla,  que já soma seis técnicos em 19 meses.

A favor:

1) Luxemburgo sabe o que é um time grande. Está acostumado com a pressão e tem como motivação o fato de voltar a fazer um trabalho em que se destaque.

2) É, antes do profissional, torcedor e sócio do clube. De alguma forma, isso mexe com ele, que nunca escondeu a preferência.

3) Vai comandar um time sem estrelas. Sempre criticado pelo ambiente desgastante com craques, o professor pode ter a autonomia que já não tinha em 2012, mesmo com a classificação do time à Taça Libertadores.

4) Em 2010, quando iniciou a última passagem pelo clube, o treinador assumiu o time em uma situação não muito diferente. Ameaçado e no Z-4, Luxa conseguiu salvar o clube e seguiu no trabalho por mais uma temporada em que também foi bem.

5) Tem o respaldo de pessoas importantes dentro do clube e contará com uma eventual paciência da diretoria. Ao que parece, terá tempo para trabalhar.

Contra:

1) O fato de ter sido o principal eleitor de Patrícia Amorim não foi tão digerido pelo atual presidente, que se mostrou aberto a mudanças, mas pode exigir além do que fez com os outros técnicos.

2) Alguns jogadores que estavam com ele entre 2010 e 2012. Resta saber se eles participaram da fritura que tirou-o do Fla. Alterações, neste caso, são fundamentais.

3) Se Luxa for bem, o Flamengo estará diante de um dilema: Como dar carta branca à montagem do elenco a um técnico acostumado a montar times caros tendo o discurso e a prática da austeridade?

4) A longo prazo, Luxa não tem rendido. Seria ele um bombeiro?

5) A desconfiança com o seu auxiliar. Embora, na teoria, o auxiliar não tenha papel importante, na prática ele pode alertar sobre circunstâncias pontuais e Luxemburgo passa a impressão de que está oferecendo um cargo de estagiário a Deivid.

O que pesará mais? Só saberemos quando chegar o fim. Do campeonato, ou do contrato, que tem rescisão baixa pelos padrões Luxemburgo. E agora, professor?

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Da beira ao caos após 45 dias: Salve-o se puder

Três zagueiros, dois destros, dois canhotos, um volante, um atacante de velocidade e o 9 típico. Elogios à forma de trabalhar, releases bonitos, treinos puxados. De longe, não parecia que o Flamengo de Ney Franco ocupava a 19ª posição. Tudo estava muito hospitaleiro, tranquilo, sereno para ser Flamengo. A Alemanha e suas cores não poderiam fazer milagres.

O jogo contra o Atlético Paranaense mostrou que faltou pólvora ao clube que faz de um copo cheio de água, um dilúvio, quando todos os flashes estavam na Holanda na Gávea. Mostrou também que fazer isso agora só tornará a situação ainda mais delicada.

Aos que postam a ridicularização da posição em que o time ocupa no campeonato em redes sociais, uma dica: Até a barba do treinador cresceu mais que o futebol do Flamengo nestes 45 dias. Treinador que, diga-se, converge todas as matérias e títulos à relação com a música de sua autoria. Inclusive este. Também pudera: são 3 empates e 3 derrotas nesta segunda passagem. Mas a culpa é dele?

O Flamengo entrou em campo evidenciando falta de qualidade técnica, que é quase uma doença crônica. Por mais que você trate, ela volta e pode piorar a situação. Piorou. De penúltimo para último. "Em 2007, estivemos perto disso", dirão os mais exaltados. Fábio Luciano e Roger - em boa forma - deram novo espírito ao clube, cabe lembrá-los.

A atuação de ontem não deixa sequer uma pequena impressão de que haverá reversão no quadro. O caos está muito além da beira. Talvez, Eduardo da Silva e Canteiros não sejam tão salvadores quanto o torcedor queira. Porque esperar, neles, a redenção pode significar o fundo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

O Massacre de 08 de Julho

Acabou. E que bom! Essa foi a sensação de todos que estavam torcendo, assistindo, se divertindo, analisando. Não importava muito o quanto cada um sabia de futebol se, no campo, o que se via era um rolo compressor em vermelho e preto. Que ironia!

Este post não tem e não terá clima. Talvez tenha clímax. Ou anticlímax. Eu não estava em 1950. Muitos de nós não estávamos. Não precisamos, porque vimos algo 7 vezes pior. Doeu! Dói!

Talvez por levar o que a maioria pensa ser um entretenimento a sério e analisar time a time, brincar de desenhar esquemas táticos, enfim, ser um PVC não sendo, muito menos tendo a pretensão.

Doeu porque numa dessas brincadeiras a sério parecia claro que era preciso entrar em campo como time pequeno. Como? Com três volantes e furando a bola para qualquer direção.

Evitaria a derrota? Muito provavelmente não. Evitaria a humilhação? Com certeza.

Resolvemos encarar a Alemanha de igual para igual sem termos um time a altura. 4 gols em 6 minutos. Vilão? Em campo? Hoje não. Se em 2010 o dedo apontava Júlio César e Felipe Melo, o mesmo dedo, hoje, não tem para quem apontar em campo.

Dói porque a esperança existia justamente por um técnico especialista em estratégias. Em uma tarde, ele não viu o seu craque e quis insistir no esquema.

Você, que quase não acompanha futebol, pode falar que o IDH da Alemanha é maior que o do Brasil, que a taxa de urbanismo, lixo no chão, obrigado, com licença e por favor são mais positivas que no Brasil. Você não sabe o que é o esporte. Porque a derrota dói, leva às lágrimas, espanta a impessoalidade, ressalta a impotência.

O Massacre de 08 de Julho será lembrado por um time que deixou espaço em campo. E um buraco no meu coração.

Peço desculpas por este não ser um texto normal, mas sim, um desabafo.

Até 2018, Copa! Foi muito bom tê-la aqui!