quinta-feira, 25 de julho de 2013

Além do Horizonte


Se você não viu, não vai entender. Se você viu, vai demorar a entender. O Clube Atlético Mineiro e a Taça Libertadores da América disseram um para o outro: "Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz". Mas haja tribulação para atingir a paz.
Oitavas de final. Fácil? São Paulo, o Soberano, dominou o jogo e o noticiário até os 20 minutos do primeiro tempo. Lúcio expulso. Você lembra? A massa sim! Depois disso, R10 mostrou que não era treino e Tatatardelli deixou o Atlético bem perto das quartas. E de outras quartas...
Na outra quarta, show! Se existiu enredo dramático, existiu alívio por um momento. Incontestável, o time de Jô e Bernard despachou o tricampeão. E a Taça? Sussurrava: "Onde eu possa encontrar a natureza, alegria e felicidade com certeza". E o Galo foi até a natureza. A quase 3000 m de altitude. 2 a 2, com critério de desempate, tá tudo certo, certo?!
Na volta das quartas, um time nervoso, sem necessidade alguma. Era com certeza! Nem tanto... Aos 43, pênalti. Victor, em um dos momentos mais épicos, faz um gol sem sair do gol. E a Taça? Mandou o recado: "Lá nesse lugar o amanhecer é lindo, com flores festejando mais um dia que vem vindo." O amanhecer foi mesmo bonito e cheio de felicidade para o torcedor. Para os incrédulos, nem tanto.
Vieram as Confederações, e a Taça tinha o discurso decorado: "Aproveitar a tarde sem pensar na vida, andar despreocupado sem saber a hora de voltar".
Chegou a semifinal. Com ela, um 0-2 incontestável em Rosário. Você acreditou? A massa sim. Na volta, jogo chato, enroscado. Gol no início e mais nada. Até que a luz apagou e ela - a Taça - reiterou: "Andar despreocupado sem saber a hora de voltar". Voltaram. O time, a massa e a história. 48 do segundo tempo, Guilherme e pênaltis. Ele estava lá outra vez. Victor garantiu uma final inédita. "Caiu no horto tá morto."
Que horto? Não tinha mais horto e isso era só mais um aviso: "Gozar a liberdade de uma vida sem frescura."
O Galo nunca precisou se limitar a estádio algum. Estava livre para o encontro no maior estádio de Minas. Sem justificativas!
No Del Chaco, doeu. Gol no fim outra vez e outro 0-2. Mas nada parece ter abalado. Ela veio outra vez e disse: "se você não vem comigo nada disso tem valor, de que vale o paraíso sem o amor. Se você não vem comigo, tudo isso vai ficar no horizonte esperando por nós dois..."
Haja espera. 45 minutos e nada. Bastaram 50 segundos para se deitarem no campo. Jô, como Fred, abriu o placar. Alguma dúvida? A massa não teve. Longos 41 minutos se passaram. E ela, na cabeça de Leonardo Silva, gritou: "Além do horizonte, existe um lugar bonito e tranquilo pra gente se amar."
Além do horizonte. Além de Belo Horizonte. Victor e a trave foram novos roteiros da epopeia. A Taça e o Galo tinham um encontro marcado! Além do Horizonte!

Parabéns, Clube Atlético Mineiro: Campeão da América.




terça-feira, 23 de julho de 2013

Durma, torcedor do galo!

Faltam pouco mais de 24 horas. A atmosfera será indescritível e não precisa esperar para ver. A massa vai empurrar o time, o juiz, o Olímpia e quem mais for preciso em direções convergentes ou divergentes. Antes, porém, o mesmo torcedor está 'cronofóbico', não suporta ouvir o tic-tac do despertador posto no criado.
A madrugada virá com todos os cenários favoráveis possíveis, como deve ser. Gol no começo do jogo, antes do intervalo e no meio do segundo, controlando a posse de bola e dominando o jogo; Gol no começo e gol no final e fé no Victor. Enfim, com diversos meios, o fim do roteiro é o mesmo: Ronaldinho e a taça juntos. Para a América, pela América, com a América.
Esqueça o café do torcedor que irá ao Mineirão. Pão de queijo só na quinta, a menos que ele acredite em superstição. Almoço? Nada de torresmo, angu, ou qualquer outro prato não digestivo a curto prazo. Expediente? Na metade branca e preta da capital é feriado em atividade. Amanhã e depois. Amanhã ou depois.
Sorte de campeão? Só depois de 90 minutos. Ou mais depois ainda.
"Como será o amanhã? Responda quem puder..."
Durma bem, torcedor do galo. Aliás, durma. 



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Só um cadim no filme do Galo, uai!

10 de julho de 2013 já é uma das datas inesquecíveis para qualquer pessoa que admire o futebol mundial. O que aconteceu no Horto permite que todos esqueçam o que virá no Defensores del Chaco no primeiro dos jogos decisivos da Libertadores. Aliás, desde o jogo contra o Tijuana, a América parece ouvir um "uai" e ter gosto de pão de queijo.
A campanha do Galo é de cinema: tem cenas tranquilas, presentes em alguns dos jogos da primeira fase, tem espetáculo, nas duas vitórias sobre o Arsenal de Sarandi, tem aventura, na vitória sobre o São Paulo no Morumbi, mas tem drama. Muito drama!
Desde às quartas, o torcedor atleticano não sabe o que é administrar resultado, conversar durante o jogo, comer alguma coisa durante um dos tempos do jogo no estádio. O Horto é um calabouço cada vez mais imprevisível e, por duas vezes, quase que o dono dele caiu.
Aos 48, Victor. Aos 50, Guilherme. Entre eles? Vermelho de Réver, pausa para as Confederações, derrota na argentina, gol relâmpago, goleiro reconstruído... Ufa! No apagar das luzes (de novo), o Galo sobreviveu. Seria uma expressão mais que comum para descrever tudo o que se passou ontem, não fosse o súbito desligamento individual dos refletores. Mágico! Orquestral! No apagar das luzes, Cuca trouxe o time para o jogo outra vez, sabendo que tinha o tempo suficiente para cumprir a tarefa. Tempo para que as luzes voltassem também uma a uma. Errado? Não. É um jogo, e cada um usa as armas que tem.
O Galo tem agora a missão mais difícil de um roteiro: garantir um final feliz. Depois dessa trajetória, o torcedor precisa pegar o pão de queijo no forno e o café na mesa para acompanhar os dois últimos capítulos. Antes que a luz se apague outra vez!



domingo, 3 de março de 2013

Parabéns, seu Arthur!

Quisera eu poder ter 90 minutos de Zico em campo. Indiretamente, ele foi o responsável pela multiplicação rubro-negra que chegou até mim. Uns dizem que ele só não foi melhor que Pelé. Outros, nem se lembram do Edson, porque têm o Arthur. Como não terei o meu desejo atendido, os parabéns vão para o Zico ético, leal, que defende os valores e princípios do clube que ele ama. Injustiçado, Zico não temeu por sair de um cargo no qual sofria acusações. Sabia que não havia feito nada daquilo que o julgavam. Muito menos, que a Nação acreditaria em um grupo que nem da esfera ouviu falar e estava lá por interesses de poder. Assim, Zico não deixou dúvidas de que quer sempre o melhor para o clube. E o melhor para o clube, hoje, é celebrar seus 60 anos, Galo!
Não dimensiono o tamanho de Zico, mas projeto nos 15 minutos em que o Engenhão parou para ver os melhores momentos de Dejan Petkovic com a camisa do Flamengo. Pet, o maior do século XXI, arrancou gritos e lágrimas de 40 mil pessoas. Imagina o Galo? 
Não havia necessidade de estatuá-lo. Ele está na memória de cada um dos rubro-negros de 40, 50 anos hoje. Está na 10 mítica. Está na apreensão, como qualquer torcedor, no jogo de logo mais contra o Botafogo. 
Zico merece a festa. Da Nação e de outras torcidas. Pelo respeito ao clube que defendeu e aos clubes que ele enfrentou. Seu Arthur fez com que seu Vinicius transmitisse as cores que defendeu a este blogueiro. Por isso, muito obrigado! 

Muitas felicidades, muitos anos de vida! 


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Missão (Im) possível?


Gerir é uma ação que depreende diversas outras habilidades tão ativas quanto. Candidatar-se a uma gestão é, talvez, o maior desafio consigo mesmo, antes de estar a frente de um grupo. Pelo menos, é esta a experiência dos mandatários do Flamengo, pouco mais de um mês a frente do clube. Se empreender é um ato que envolve coragem, solidez e credibilidade, agir de forma empreendedora em um clube cujas crateras financeiras ultrapassam quaisquer expectativas negativas, mais ainda. Dentro destes três pontos, a chapa azul objetiva, antes de tudo, a reestruturação financeira do rubro-negro e é por eles que procuramos nos atentar a uma breve análise da embrionária gestão.
Eduardo Bandeira de Mello e Luiz Fernando Bapstista, o Bap, encontraram um clube no qual não apenas jogadores, mas funcionários não tinham seus compromissos cumpridos de forma legal. Como em uma empresa, a primeira medida é a de corte de gastos. A coragem com a qual fizeram e estão fazendo isto é assustadora em se tratando de Flamengo. Duas ações nos fazem caracterizá-la como tal: a dispensa de Vágner Love e o enxugamento dos esportes olímpicos. O primeiro, por se tratar da maior - e talvez única - estrela da companhia. O mais comum para o Flamengo seria negociar, negociar, negociar e continuar devendo. De forma sensata, foi apresentada ao jogador a situação do clube e ele saiu como qualquer outro trabalhador sairia, caso soubesse que não teria seu salário em dia; o segundo, por adotar uma medida que nenhum outro havia feito: parece-nos evidente de que, além do futebol, apenas o basquete traz algum retorno no mercado. E este ainda não é autossustentável. Sem estrelas, com pé no chão e coragem, foram-se Love e Cielo.
Quanto à solidez, esticamos a ótica a outros dois fatores emblemáticos do clube: a redução salarial - de imagens ou luvas, que seja - de Leonardo Moura e as contratações com um limite de gastos. O lateral, já há oito temporadas no clube, será peça-chave neste período de vacas magras, enquanto as contratações ainda não prometem, mas trazem em si uma carga de potencial que pode ir além das expectativas. Elias, Gabriel, João Paulo e, eventualmente, Carlos Eduardo estão longe de serem reforços de ponta, mas não podem ser desprezados tão facilmente.
Quando o assunto é credibilidade, outros dois componentes entram em cena: a experiência do grupo e a aliança com o conselho. Com o contrato às portas de ser assinado, a comitiva rubro-negra sentou, leu e deu sua posição à Addidas, nova fornecedora de material esportivo. Evidentemente que no fim das contas a fornecedora será mais beneficiada que o clube, mas alterar alguns pontos no contrato foi o primeiro grande feito dessa diretoria. Depois, um novo patrocinador e uma nova forma de pensar as marcas. Baptista consegue R$ 10 milhões pelos próximos 3 anos na calada da noite e antecipa o anúncio em um dia da aprovação do conselho deliberativo. Daí a importância de aliados em outras frentes.
Talvez não seja repleta de êxitos, mas a nova diretoria faz do Flamengo uma empresa em crise, conhecendo todas as formas legais de débitos, com um potencial de receita ainda grande e reconhecido no mercado. Basta seguir em frente!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Vestir Rubro-Negro

Entre amarelos-ouro e rosas, a missão dos azuis é bem mais complicada que a dos comandados de Abramovic. Eduardo Bandeira de Mello foi 'eleito' nesta segunda-feira, 2, presidente do Clube de Regatas do Flamengo e promete uma revolução na maneira de gerir o clube, baseado na experiência que ele e os companheiros de chapa adquiriram no ramo. Externos até determinado ponto ao que se passa nos bastidores sujos da gávea, os membros da chapa azul foram extremamente repudiados pelas panelas de pressão caseiras que lá se formam e explodem tanto que nem é preciso estar no Rio, nem torcer para o clube ou conhecê-lo por muito tempo.
Talvez seja nesse olhar de fora que a nova comitiva rubro-negra pode ser eficiente. As medidas pré-anunciadas desenham o foco do trabalho de Bandeira: o futebol. Dumbrovski continuou o mandato de Márcio Braga nessa linha, de forma desorganizada é verdade, mas conquistou um título, depois de o Flamengo ter conseguido 3º e 5º lugares nos campeonatos anteriores respectivamente.
É evidente que a estrutura fiscal, a estrutura econômica e a estrutura física precisam ser reformuladas para que haja reflexo no campo, mas não da forma amadora com a qual foi feita pela gestão 2010-2012. O embate com Zico talvez tenha sido a derrapada mais brusca, mas Patrícia já havia perdido o controle da comitiva ao delegar poderes a Capitão Léo e Helio Ferraz - que votou na chapa azul.
O desafio de Mello é um pouco mais além. Organizar a casa administrativamente e futebolisticamente. Na atual gestão - pelo menos até o dia 15 de dezembro - o rubro-negro conta um título estadual e nada mais, além de campanhas vexatórias de marketing para um clube que teve prejuízos enormes nas vendas a partir de julho de 2010.
Não conceder a ele o status de salvador da pátria - ou da nação - pode ser um primeiro passo muito interessante. Não haverá como avaliá-lo antes de 6 meses de gestão. O torcedor, que é impaciente por natureza, quer colher antes de plantar e muito provavelmente não entenderá isso de imediato, mas se propôs a vestir rubro-negro, almejando mudanças e uma forma moderna de ver o futebol, ainda que arraigado na ideia de que clube é clube e empresa é empresa. Será?


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Do nada???

Penso não ser necessário, amigo leitor, preencher a folha que vejo ser tomada com julgamentos sobre a decisão da entidade que atrasa o futebol brasileiro. A pergunta que nos motiva a escrever é: por que tão de repente esta demissão de Mano Menezes, quando todos davam a seleção no caminho certo para a solidez?
Uma das respostas pode ter vindo alguns dias depois. Com mandato de busca e apreensão da Polícia Federal na casa de Marco Polo Del-Nero, nada mais natural (para quem destrói o futebol, diga-se) que ligar o extintor e encobrir um suposto esquema com uma demissão inesperada. Tal atitude só aumenta as suspeitas e faz nascer evidências de que o sucessor de Ricardo Teixeira é, pasmem, mais sujo e mais corrupto que ele.
A outra resposta, esta mais coerente se pensarmos na relação hierárquica existente na confederação, pode ter surgido antes mesmo da final em Bombonera. Juntando as peças do quebra-cabeça, temos que, tão repentina quanto à demissão foi a convocação de Cavalieri e Fred para o superclássico. Absolutamente merecido pelo campeonato que ambos fizeram, mas os que acompanham o futebol sabem que Mano quase sempre foi muito conviccto nas posições táticas, técnicas e opinativas, demonstrando ser um estudioso do futebol e firme nas posições que assume enquanto pessoa. Pelo menos, aos que não seguem de perto, esta é a impressão das entrevistas. Isto nos faz ficar com uma pulga enorme atrás da orelha, que pode ser confirmada pelas declarações do Fred e as sutis réplicas de Mano quanto aos questionamentos do jogador.
Estranhamente, da água para o vinho, Fred aparece entre os titulares da seleção. Diante das sequência dos fatos, não há como, ao menos, duvidarmos de que tenham sido impostas as convocações de ambos, embora o caso do Fred seja mais emblemático.
Mano devia ter as razões dele para não o convocar, mas esbarrou na desorganizada confederação, que, inclusive, deve ter mandado a lista de batedores de pênalti junto à carta de demissão. Ou será que ele não foi demitido?