Acabou. E que bom! Essa foi a sensação de todos que estavam torcendo, assistindo, se divertindo, analisando. Não importava muito o quanto cada um sabia de futebol se, no campo, o que se via era um rolo compressor em vermelho e preto. Que ironia!
Este post não tem e não terá clima. Talvez tenha clímax. Ou anticlímax. Eu não estava em 1950. Muitos de nós não estávamos. Não precisamos, porque vimos algo 7 vezes pior. Doeu! Dói!
Talvez por levar o que a maioria pensa ser um entretenimento a sério e analisar time a time, brincar de desenhar esquemas táticos, enfim, ser um PVC não sendo, muito menos tendo a pretensão.
Doeu porque numa dessas brincadeiras a sério parecia claro que era preciso entrar em campo como time pequeno. Como? Com três volantes e furando a bola para qualquer direção.
Evitaria a derrota? Muito provavelmente não. Evitaria a humilhação? Com certeza.
Resolvemos encarar a Alemanha de igual para igual sem termos um time a altura. 4 gols em 6 minutos. Vilão? Em campo? Hoje não. Se em 2010 o dedo apontava Júlio César e Felipe Melo, o mesmo dedo, hoje, não tem para quem apontar em campo.
Dói porque a esperança existia justamente por um técnico especialista em estratégias. Em uma tarde, ele não viu o seu craque e quis insistir no esquema.
Você, que quase não acompanha futebol, pode falar que o IDH da Alemanha é maior que o do Brasil, que a taxa de urbanismo, lixo no chão, obrigado, com licença e por favor são mais positivas que no Brasil. Você não sabe o que é o esporte. Porque a derrota dói, leva às lágrimas, espanta a impessoalidade, ressalta a impotência.
O Massacre de 08 de Julho será lembrado por um time que deixou espaço em campo. E um buraco no meu coração.
Peço desculpas por este não ser um texto normal, mas sim, um desabafo.
Até 2018, Copa! Foi muito bom tê-la aqui!
terça-feira, 8 de julho de 2014
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Uma tarde de redefinições
Eu imaginava que sabia o que era futebol, até que veio o dia 28 de junho de 2014. Na verdade, este texto é uma grave petulância de tentar limitar aquilo que se eternizará na memória. Há quem diga que é uma forma de eternizar, diante da limitada lembrança que temos.
9h - Padrão Fifa na área. Se derrubar, é pênalti! Forte esquema de barreiras, mas uma enorme gentileza em nos deixar o mais próximo possível do Mineirão. O dia já se desenhava ensolarado e com festa. Cerca de 1500 pessoas já estavam lá. Alguns com placas na mão à procura de ingressos. Intermináveis 60 minutos!
10h - Os portões se abrem! Já somos mais de 30 mil. Cada qual procura seu portão e, de fato, somos bem orientados. A desejar? A verificação dos dados e da autenticidade da minha condição, isto é, a própria Fifa dá margens para falsificação de deficiências e de ingressos, uma vez que eles são nominais.
10h15 - Assento localizado. Todo e qualquer detalhe é pouco. Homens engravatados testam a trajada tecnologia. Testam, retestam. Tudo em ordem, menos o traje. O sol ainda parecia se comportar. O tempo é que parecia o problema.
10h35 - Lojas e preços Fifa! Que eles sabem organizar e fazer Marketing, tanto eu, que queria a copa, quanto você que dizia não ter copa, não podemos negar. A loja oficial é tão atraente que atraiu até o meu esquecimento para com o feijão tropeiro. Ainda bem!
12h15 - Tudo observado no telão e... jogadores de azul no vestiário. Uma imagem que se torna real dali a alguns instantes. Da tevê, ao campo! Era ali mesmo! Estava redefinida a palavra emoção. Batem bola por 20 minutos. O suficiente para terem seus nomes gritados. Em especial, o craque e o goleiro, como que em um exercício de previsão.
12h55 - A música toca e redefine o conceito de trilha sonora. Que sejam pedidas todas as desculpas aos musicistas leitores, mas a introdução da Fifa foi, até ali, o mais belo arranjo da tarde. Times perfilados! Hinos a tocar. Redefinida a expressão "jogar junto." Não deixamos os chilenos continuarem o hino e, se você acha que isso é uma reunião diplomática, deve pensar que a região glútea do Hulk faz uma enorme diferença no jogo. Na nossa vez? Cada um deu o que tinha de tom, voz, melodia e coração!
13h00 - Correr para onde? Rolou! Dali sairia só um time vivo. Talvez, só alguns vivos!
13h17 - Jogo truncado e, com bola na área, ninguém viu gol contra. Sim! O gigante David Luiz já tinha seu nome e adjetivos reservados aqui! Em frente, a plenos pulmões comemoramos com pessoas as quais nunca nos conhecemos. Fomos os melhores companheiros uns dos outros! Tudo parecia caminhar para uma tranquila vitória.
13h38 - O time se comportava de forma que a dupla de defesa tocasse mais vezes na bola que quaisquer outros jogadores brasileiros em campo. Já não ultrapassávamos o meio-campo com tanta frequência. Era um indício. Foi uma impotência, vendo tão de perto, não poder esticar mais a mão de Júlio César. Só se ouvia os 8 mil chilenos! Que raiva! Visitantes fazendo festa, comendo do bom e do melhor e ditando o ritmo dentro da sua casa???
13h47 - Fim de primeiro tempo. Comer? Beber? Que nada! Entre uma foto e outra, a incerteza do resultado.
Vem o segundo tempo e o relógio é esquecido. O Chile é quem domina o jogo como o sol domina o lado em que estamos. As ligações diretas mostram um time sem variação e sem saída. Uma escapada de Arandiz e a clara impressão de que a copa se escorria pelas mãos do Júlio e de todos nós. Redefinido o conceito de reflexo.
Entre uma tentativa de gol e o fim do jogo, unanimidade: Que acabe logo!
Mais 30 minutos. Só por isso, já valeu o ingresso. Mas, e a classificação? Não parecia estar tão perto assim. O sol ainda castiga, mas passa a ser um detalhe. 30 minutos tensos? Talvez nem tanto quanto o vigésimo oitavo deles. A 20 metros, Pinilla vira e a bola tinha endereço. Só não tinha selo de correspondência. Trave. Certeza de pênaltis.
A torcida era para o gol da esquerda. E assim foi. A partir dali, as fotos registradas de um gol vazio antes o jogo tornaram-se históricas. Cadê a lista? Só na tevê!
Vem David Luiz. Confiei. Respirei. Gritei. De longe, todos de vermelho eram inimigos. Lembre-se: Futebol não é política. Nada contra a cor. Nenhum de nós sabia mais quem eram os chilenos. Sabíamos quem era Júlio César.
E ele veio. O gol parecia menor. Confiei. Respirei. Gritei. Assim foi na subsequente cobrança chilena. Redefinimos a palavra confiança, mas, em seguida, a sensação de medo. Willian para fora e Hulk sem direção. Incrível? Ele não, a situação, sim.
Veio o menino. Neymar caminhava e o coração já não tinha mais espaço para bater. Correu. Ufa! A responsabilidade agora era de Gonzalo Jara - só descoberto depois - com 50 mil brasileiros no gol da esquerda. Restava-o tirar do gol.
O selo da bola na prorrogação também faltou à cobrança do zagueiro. Trave. Sem reação certa, copos voam, olhamos uns aos outros como se fôssemos os melhores amigos. 50 mil amigos! 50 mil apaixonados! Estamos lá. A odisseia continua. Redefinimos o conceito de emoção. Reafirmamos o amor por um esporte, que ainda permite protocolos quebrados.
De lá entregamos a Fortaleza. E que não seja preciso tantas redefinições até o caminho da taça.
9h - Padrão Fifa na área. Se derrubar, é pênalti! Forte esquema de barreiras, mas uma enorme gentileza em nos deixar o mais próximo possível do Mineirão. O dia já se desenhava ensolarado e com festa. Cerca de 1500 pessoas já estavam lá. Alguns com placas na mão à procura de ingressos. Intermináveis 60 minutos!
10h - Os portões se abrem! Já somos mais de 30 mil. Cada qual procura seu portão e, de fato, somos bem orientados. A desejar? A verificação dos dados e da autenticidade da minha condição, isto é, a própria Fifa dá margens para falsificação de deficiências e de ingressos, uma vez que eles são nominais.
10h15 - Assento localizado. Todo e qualquer detalhe é pouco. Homens engravatados testam a trajada tecnologia. Testam, retestam. Tudo em ordem, menos o traje. O sol ainda parecia se comportar. O tempo é que parecia o problema.
10h35 - Lojas e preços Fifa! Que eles sabem organizar e fazer Marketing, tanto eu, que queria a copa, quanto você que dizia não ter copa, não podemos negar. A loja oficial é tão atraente que atraiu até o meu esquecimento para com o feijão tropeiro. Ainda bem!
12h15 - Tudo observado no telão e... jogadores de azul no vestiário. Uma imagem que se torna real dali a alguns instantes. Da tevê, ao campo! Era ali mesmo! Estava redefinida a palavra emoção. Batem bola por 20 minutos. O suficiente para terem seus nomes gritados. Em especial, o craque e o goleiro, como que em um exercício de previsão.
12h55 - A música toca e redefine o conceito de trilha sonora. Que sejam pedidas todas as desculpas aos musicistas leitores, mas a introdução da Fifa foi, até ali, o mais belo arranjo da tarde. Times perfilados! Hinos a tocar. Redefinida a expressão "jogar junto." Não deixamos os chilenos continuarem o hino e, se você acha que isso é uma reunião diplomática, deve pensar que a região glútea do Hulk faz uma enorme diferença no jogo. Na nossa vez? Cada um deu o que tinha de tom, voz, melodia e coração!
13h00 - Correr para onde? Rolou! Dali sairia só um time vivo. Talvez, só alguns vivos!
13h17 - Jogo truncado e, com bola na área, ninguém viu gol contra. Sim! O gigante David Luiz já tinha seu nome e adjetivos reservados aqui! Em frente, a plenos pulmões comemoramos com pessoas as quais nunca nos conhecemos. Fomos os melhores companheiros uns dos outros! Tudo parecia caminhar para uma tranquila vitória.
13h38 - O time se comportava de forma que a dupla de defesa tocasse mais vezes na bola que quaisquer outros jogadores brasileiros em campo. Já não ultrapassávamos o meio-campo com tanta frequência. Era um indício. Foi uma impotência, vendo tão de perto, não poder esticar mais a mão de Júlio César. Só se ouvia os 8 mil chilenos! Que raiva! Visitantes fazendo festa, comendo do bom e do melhor e ditando o ritmo dentro da sua casa???
13h47 - Fim de primeiro tempo. Comer? Beber? Que nada! Entre uma foto e outra, a incerteza do resultado.
Vem o segundo tempo e o relógio é esquecido. O Chile é quem domina o jogo como o sol domina o lado em que estamos. As ligações diretas mostram um time sem variação e sem saída. Uma escapada de Arandiz e a clara impressão de que a copa se escorria pelas mãos do Júlio e de todos nós. Redefinido o conceito de reflexo.
Entre uma tentativa de gol e o fim do jogo, unanimidade: Que acabe logo!
Mais 30 minutos. Só por isso, já valeu o ingresso. Mas, e a classificação? Não parecia estar tão perto assim. O sol ainda castiga, mas passa a ser um detalhe. 30 minutos tensos? Talvez nem tanto quanto o vigésimo oitavo deles. A 20 metros, Pinilla vira e a bola tinha endereço. Só não tinha selo de correspondência. Trave. Certeza de pênaltis.
A torcida era para o gol da esquerda. E assim foi. A partir dali, as fotos registradas de um gol vazio antes o jogo tornaram-se históricas. Cadê a lista? Só na tevê!
Vem David Luiz. Confiei. Respirei. Gritei. De longe, todos de vermelho eram inimigos. Lembre-se: Futebol não é política. Nada contra a cor. Nenhum de nós sabia mais quem eram os chilenos. Sabíamos quem era Júlio César.
E ele veio. O gol parecia menor. Confiei. Respirei. Gritei. Assim foi na subsequente cobrança chilena. Redefinimos a palavra confiança, mas, em seguida, a sensação de medo. Willian para fora e Hulk sem direção. Incrível? Ele não, a situação, sim.
Veio o menino. Neymar caminhava e o coração já não tinha mais espaço para bater. Correu. Ufa! A responsabilidade agora era de Gonzalo Jara - só descoberto depois - com 50 mil brasileiros no gol da esquerda. Restava-o tirar do gol.
O selo da bola na prorrogação também faltou à cobrança do zagueiro. Trave. Sem reação certa, copos voam, olhamos uns aos outros como se fôssemos os melhores amigos. 50 mil amigos! 50 mil apaixonados! Estamos lá. A odisseia continua. Redefinimos o conceito de emoção. Reafirmamos o amor por um esporte, que ainda permite protocolos quebrados.
De lá entregamos a Fortaleza. E que não seja preciso tantas redefinições até o caminho da taça.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Tenho apenas duas mãos e o sentimento (da Copa) do mundo
"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo", eternizou o eu-lírico de Carlos Drummond de Andrade. Contextos à parte, talvez essas sejam as palavras que mais se aproximam do que se passa.
Consideravelmente limitado, tentei imaginar e responder o que é estar em uma Copa do Mundo? Não consegui. O fato, por si só, é histórico. Para um amante do futebol, ao quadrado. Mas faltava algo.
Faltava o sentimento do mundo. E o mundo sentia e apostava que a Seleção Brasileira passaria em primeiro do grupo.
Com esse sentimento, veio o risco. Jogo 49 - Winner A x Runner Up B - dizia o aviso Padrão Fifa. Era esse, ou nenhum outro. Apostei. Sem chutes em bolão algum, joguei minhas nada baratas fichas em uma substituição: sai Winner A, entra "Brazil", mantendo o idioma Fifa.
Hoje, quando Ericksson, que não é sócio da telefonia, tampouco tem parentesco com o ex-técnico inglês, encerrou o jogo, o sonho ganhou forma. E sentimento. Não posso antecipar, sequer, a reação diante da música introdutória da Fifa. Imagina na capela? Todos os esforços tentam vislumbrar. E nada.
Ah, como é grande esse sentimento do mundo! Como são apenas essas duas mãos, que, se fossem maiores, adiantariam o relógio. O horizonte talvez não esteja tão belo para o time de Felipão, mas pode ficar a partir de então.
E se não ficar? Terei apenas duas mãos e o sentimento do mundo. Seria um misto de egoísmo e hipocrisia tratar o resultado como um detalhe, mas não me arrisco em categorizá-lo. Da entrada ao apito final, serão mais que duas mãos. Serão milhares no peito, outras tantas a empurrar e ainda mais a reclamar, abraçar, gritar, enxugar lágrimas. Quem mandou o sentimento ser desse tamanho?
Hoje, tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo. Da Copa do Mundo!
Consideravelmente limitado, tentei imaginar e responder o que é estar em uma Copa do Mundo? Não consegui. O fato, por si só, é histórico. Para um amante do futebol, ao quadrado. Mas faltava algo.
Faltava o sentimento do mundo. E o mundo sentia e apostava que a Seleção Brasileira passaria em primeiro do grupo.
Com esse sentimento, veio o risco. Jogo 49 - Winner A x Runner Up B - dizia o aviso Padrão Fifa. Era esse, ou nenhum outro. Apostei. Sem chutes em bolão algum, joguei minhas nada baratas fichas em uma substituição: sai Winner A, entra "Brazil", mantendo o idioma Fifa.
Hoje, quando Ericksson, que não é sócio da telefonia, tampouco tem parentesco com o ex-técnico inglês, encerrou o jogo, o sonho ganhou forma. E sentimento. Não posso antecipar, sequer, a reação diante da música introdutória da Fifa. Imagina na capela? Todos os esforços tentam vislumbrar. E nada.
Ah, como é grande esse sentimento do mundo! Como são apenas essas duas mãos, que, se fossem maiores, adiantariam o relógio. O horizonte talvez não esteja tão belo para o time de Felipão, mas pode ficar a partir de então.
E se não ficar? Terei apenas duas mãos e o sentimento do mundo. Seria um misto de egoísmo e hipocrisia tratar o resultado como um detalhe, mas não me arrisco em categorizá-lo. Da entrada ao apito final, serão mais que duas mãos. Serão milhares no peito, outras tantas a empurrar e ainda mais a reclamar, abraçar, gritar, enxugar lágrimas. Quem mandou o sentimento ser desse tamanho?
Hoje, tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo. Da Copa do Mundo!
quarta-feira, 18 de junho de 2014
O Sebastianismo do outro lado da Península
Rio de Janeiro, 18 de junho de 2014. O maior estádio do mundo assistiu à queda do imponente futebol atual campeão do mundo. O toque de bola, a mobilidade, o domínio territorial pareciam inúteis, vis, desprezíveis.
Será?
Este que vos escreve foi para a casa relutando a acreditar que o domínio do olé, tão recorrente nas touradas, acabou nos gramados. A teimosia, resultante da 'não-crença', provocou o título deste post.
1557: D. Sebastião, cheio de vigor, passa a ter o direito de herdar o reino português. 2008: A Seleção Espanhola, carregada de potenciais, passa a ter o aval de comandar o futebol. Ambos são menores, ainda não tinham tanta maturidade para a missão as quais foram incumbidos. Mas cresceram.
Se o rei estava ávido em readquirir a glória passada em busca de 'terras infiéis', Xavi, Iniesta, Busquets, Puyol e David Villa almejavam conquistar um território já esquecido: O do futebol bem jogado, sonhado por todo aquele que um dia ocupara o posto mais alto dos campos.
Ambos muito bem sucedidos. Até Alcácer Quibir. Ah, o destino! Foi lá, na África, onde os espanhóis alcançaram o ápice, que o rei nunca mais voltou. Ou ainda pode voltar?
Foi lá, onde o futebol presenciou o ápice do futebol mundial, que os espanhóis conheceram a sua Quibir. Caíram! Caíram? Se a pergunta ecoa duvidosa no Brasil, imagine em Madri?
Certamente, os espanhóis estão convictos de que é uma fase e que poderão resgatar o posto de glória que atingiram, vencendo críticas ao toque de bola, à mobilidade, ao domínio territorial, que jamais poderão se repetir.
Hoje, o Sebastianismo, sim, provocou a anexação de Portugal à Espanha, diferentemente do que almejavam os portugueses com a alimentação messiânica do mito.
Será?
Este que vos escreve foi para a casa relutando a acreditar que o domínio do olé, tão recorrente nas touradas, acabou nos gramados. A teimosia, resultante da 'não-crença', provocou o título deste post.
1557: D. Sebastião, cheio de vigor, passa a ter o direito de herdar o reino português. 2008: A Seleção Espanhola, carregada de potenciais, passa a ter o aval de comandar o futebol. Ambos são menores, ainda não tinham tanta maturidade para a missão as quais foram incumbidos. Mas cresceram.
Se o rei estava ávido em readquirir a glória passada em busca de 'terras infiéis', Xavi, Iniesta, Busquets, Puyol e David Villa almejavam conquistar um território já esquecido: O do futebol bem jogado, sonhado por todo aquele que um dia ocupara o posto mais alto dos campos.
Ambos muito bem sucedidos. Até Alcácer Quibir. Ah, o destino! Foi lá, na África, onde os espanhóis alcançaram o ápice, que o rei nunca mais voltou. Ou ainda pode voltar?
Foi lá, onde o futebol presenciou o ápice do futebol mundial, que os espanhóis conheceram a sua Quibir. Caíram! Caíram? Se a pergunta ecoa duvidosa no Brasil, imagine em Madri?
Certamente, os espanhóis estão convictos de que é uma fase e que poderão resgatar o posto de glória que atingiram, vencendo críticas ao toque de bola, à mobilidade, ao domínio territorial, que jamais poderão se repetir.
Hoje, o Sebastianismo, sim, provocou a anexação de Portugal à Espanha, diferentemente do que almejavam os portugueses com a alimentação messiânica do mito.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Será que foi o México?
Com fama de ser uma pedra no sapato brasileiro, o time mexicano conseguiu um ótimo resultado e agora joga por um empate contra a Croácia. Mas, será que o retrospecto pesou?
A família Scolari esteve espaçada em campo. Paulinho irreconhecível, Oscar caindo por várias áreas e não fluindo em nenhuma delas, Neymar propondo jogo, mas não chutando. Taticamente, o Brasil não funcionou e, se você não pousou de Marte ontem, sabe que todos os times do Luis Felipe são bem mais competentes na tática que na técnica.
Sem compactação, velocidade e precisão na saída e na retomada das bolas, o Brasil fugiu de suas características nas versões 2013/2014 e pouco criou para chances. Ainda assim, elas vieram, mas encontraram um inspirado Ochoa.
Defensivamente, sem sustos. Mais uma bela partida de Luis Gustavo, solidez de David Luis e Thiago Silva e melhora na marcação pelo lado direito forçaram chutes de média e longa distância dos mexicanos, que pouco entraram na área brasileira.
Para um time jovem, o empate em 0 a 0 pode significar a compreensão de que ninguém aperta um botão e, de repente, ganha um jogo. Que dirá em uma Copa do Mundo. Para a comissão técnica, um resultado para suscitar a onda de questionamentos. Talvez a inauguração do modo Scolari de trabalhos eficientes.
Hulk fez falta e deve voltar ao próximo jogo. Além dele, poderiam ter chances Wilian e Fernandinho, mas é quase improvável que o Felipão mexa no time de forma tão drástica. Sinceramente, o México não foi o maior problema desta segunda rodada. Esperamos que Camarões seja a maior solução da próxima.
A família Scolari esteve espaçada em campo. Paulinho irreconhecível, Oscar caindo por várias áreas e não fluindo em nenhuma delas, Neymar propondo jogo, mas não chutando. Taticamente, o Brasil não funcionou e, se você não pousou de Marte ontem, sabe que todos os times do Luis Felipe são bem mais competentes na tática que na técnica.
Sem compactação, velocidade e precisão na saída e na retomada das bolas, o Brasil fugiu de suas características nas versões 2013/2014 e pouco criou para chances. Ainda assim, elas vieram, mas encontraram um inspirado Ochoa.
Defensivamente, sem sustos. Mais uma bela partida de Luis Gustavo, solidez de David Luis e Thiago Silva e melhora na marcação pelo lado direito forçaram chutes de média e longa distância dos mexicanos, que pouco entraram na área brasileira.
Para um time jovem, o empate em 0 a 0 pode significar a compreensão de que ninguém aperta um botão e, de repente, ganha um jogo. Que dirá em uma Copa do Mundo. Para a comissão técnica, um resultado para suscitar a onda de questionamentos. Talvez a inauguração do modo Scolari de trabalhos eficientes.
Hulk fez falta e deve voltar ao próximo jogo. Além dele, poderiam ter chances Wilian e Fernandinho, mas é quase improvável que o Felipão mexa no time de forma tão drástica. Sinceramente, o México não foi o maior problema desta segunda rodada. Esperamos que Camarões seja a maior solução da próxima.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
Imagina na Copa? Nem nos nossos melhores sonhos!
A pergunta, frente aos múltiplos problemas orçamentários, infraestruturais e sociais aos quais nos deparamos era: Imagina na Copa?
Os capazes de vislumbrar 2014 sentenciavam que nada ia dar certo, que o caos estava estabelecido e que a Copa poderia fazer as suas malas e ir para a Alemanha, roteiro já conhecido e muito bem experimentado por ela.
Eles e nós - ou nós e eles - não nos lembramos de que o futebol ainda é a principal atração por meio da qual o charme, o romantismo, a magia e a concretude do torneio perduram.
Restam apenas dois jogos da primeira rodada. Nela, já tivemos gols contra, viradas acima da média, goleadas históricas, jogos acirrados, outros sonolentos.
O intercâmbio cultural relatado aos que acompanham de perto ultrapassa qualquer tentativa de mostrar a imagem da depredação e do protesto confundido com vandalismo. Vandalismo esse que pode ser comparado à cabeçada de Pepe em Müller.
Nosso país, de fato, está longe das condições que consideramos razoáveis para sermos considerados desenvolvidos, mas está envolvido, queiram imaginantes ou não, pela força da bola entre as nações. O dia dos namorados nunca foi tão romântico para este solteiro. Estavam ali a seleção, a bola, o rival, os de preto e dois gols. Imagina na copa! Ops! Era realidade!
Com melhor média de gols desde 1954, a conjuntura do esporte mais aclamado do mundo dá mostras de que aqui é a terra do gol. Pena que nigerianos e iranianos, juntos, não entenderam isso. Messi e o Maraca, sim!
Ainda relatando tardiamente alguns pensamentos e informações, custo a acreditar que daqui 20, 30, 40 anos - se assim me for permitido por Deus - vou poder contar, imaginando a copa: "Teve copa! E ela continuou pelos dias seguintes, até 13 de julho. Poderia ter sido pelos tantos outros que se seguiram."
Os capazes de vislumbrar 2014 sentenciavam que nada ia dar certo, que o caos estava estabelecido e que a Copa poderia fazer as suas malas e ir para a Alemanha, roteiro já conhecido e muito bem experimentado por ela.
Eles e nós - ou nós e eles - não nos lembramos de que o futebol ainda é a principal atração por meio da qual o charme, o romantismo, a magia e a concretude do torneio perduram.
Restam apenas dois jogos da primeira rodada. Nela, já tivemos gols contra, viradas acima da média, goleadas históricas, jogos acirrados, outros sonolentos.
O intercâmbio cultural relatado aos que acompanham de perto ultrapassa qualquer tentativa de mostrar a imagem da depredação e do protesto confundido com vandalismo. Vandalismo esse que pode ser comparado à cabeçada de Pepe em Müller.
Nosso país, de fato, está longe das condições que consideramos razoáveis para sermos considerados desenvolvidos, mas está envolvido, queiram imaginantes ou não, pela força da bola entre as nações. O dia dos namorados nunca foi tão romântico para este solteiro. Estavam ali a seleção, a bola, o rival, os de preto e dois gols. Imagina na copa! Ops! Era realidade!
Com melhor média de gols desde 1954, a conjuntura do esporte mais aclamado do mundo dá mostras de que aqui é a terra do gol. Pena que nigerianos e iranianos, juntos, não entenderam isso. Messi e o Maraca, sim!
Ainda relatando tardiamente alguns pensamentos e informações, custo a acreditar que daqui 20, 30, 40 anos - se assim me for permitido por Deus - vou poder contar, imaginando a copa: "Teve copa! E ela continuou pelos dias seguintes, até 13 de julho. Poderia ter sido pelos tantos outros que se seguiram."
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Quando mais?
Quarta-feira, 11 de junho de 2014. Quantos dias estabeleceram marcos de uma contagem cada vez mais regressiva. O tempo, que quando esperado é carregado de ansiedade e quando vivido é repleto de saudade, nos permitiu contar até 1. Um dia!
Quantos queriam estar aqui e agora. Quantos queriam ter chegado até aqui. Em um pensamento que ultrapassa o egoísmo o natural é sentenciar que todos os amantes do futebol deveriam estar aqui. Não. Não irei dedicar sequer uma linha aos oportunistas que deveras almejam criar teorias e se preocuparem com assuntos mais relevantes agora.
Hoje, o frio na barriga é antártico! Convido você, amigo leitor, a se lembrar de quando viu sua primeira copa. Qual foi a sensação de conhecer países, cidades, bandeiras, culturas pelo futebol? Lembro-me vagamente das cobranças de 1994, mas foi em 1998 que soube do costume do vestuário escocês e que Marrocos era um país predominantemente Muçulmano. Talvez tenha sido também na França que descobri o que era, de fato, um gol contra.
Nela, pensei que um jogo de futebol pudesse durar o mesmo que uma das finais de Guga aos domingos pela manhã. Ronaldo e Kluivert bem que tentaram. Taffarel não deixou. Também lá, aprendi francês do modo mais indesejável.
Hoje, toda essa emoção inaugural parece estar mais próxima. Parece, porque até antes de a bola rolar é difícil acreditar que ela será aqui. Quando mais? Acordei pensando nostalgicamente qual será a próxima copa no Brasil. Impossível prever, assim como será impossível repetir a sensação de hoje.
Boa copa!
Quantos queriam estar aqui e agora. Quantos queriam ter chegado até aqui. Em um pensamento que ultrapassa o egoísmo o natural é sentenciar que todos os amantes do futebol deveriam estar aqui. Não. Não irei dedicar sequer uma linha aos oportunistas que deveras almejam criar teorias e se preocuparem com assuntos mais relevantes agora.
Hoje, o frio na barriga é antártico! Convido você, amigo leitor, a se lembrar de quando viu sua primeira copa. Qual foi a sensação de conhecer países, cidades, bandeiras, culturas pelo futebol? Lembro-me vagamente das cobranças de 1994, mas foi em 1998 que soube do costume do vestuário escocês e que Marrocos era um país predominantemente Muçulmano. Talvez tenha sido também na França que descobri o que era, de fato, um gol contra.
Nela, pensei que um jogo de futebol pudesse durar o mesmo que uma das finais de Guga aos domingos pela manhã. Ronaldo e Kluivert bem que tentaram. Taffarel não deixou. Também lá, aprendi francês do modo mais indesejável.
Hoje, toda essa emoção inaugural parece estar mais próxima. Parece, porque até antes de a bola rolar é difícil acreditar que ela será aqui. Quando mais? Acordei pensando nostalgicamente qual será a próxima copa no Brasil. Impossível prever, assim como será impossível repetir a sensação de hoje.
Boa copa!
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