sexta-feira, 3 de abril de 2015

Pa(G)olo Guerrero: Ídolo por mais de um gol

       Se estivesse em campo apenas em 2013, em Yokohama, contra o Chelsea, Paolo Guerreo já estaria imortalizado na história do Corinthians. Em times como o do Parque São Jorge, são gols que fazem os ídolos, e não o contrário.

       Mas o peruano, já fazedor de gols no Campeonato Alemão, não parou no gol mais importante dos quase 105 anos de história do clube. Em 2014, com ele, o Corinthians venceu - mas não convenceu - pelo placar mínimo com gol dele.

       Veio a discussão da renovação e Paolo, como chamara o antigo treinador, se manteve certo do que haveria de fazer em campo: gols. Na última quarta-feira, o #TitularEterno colocou mais 3 pulgas e um ponto de interrogação na diretoria alvinegra, chegando a 54 gols pelo clube e - pasmem - 64% dos gols decisivos em 2015.

       Mortal, inapelável, não perdoador. O torcedor corintiano pode, sim, chamá-lo assim. O atacante dos gols decisivos pudera ser brasileiro, ainda que a CBF tenha desperdiçado outro grande atacante, hoje espanhol, que atende pelo nome de Diego Costa.

       Renovável, ou não, a torcida talvez não se esquecerá de Paolo, que, por mais de um gol e por um gol está eternizado por ser Guerrero!

quinta-feira, 5 de março de 2015

O último dos moicanos

       Leonardo Moura fez sua partida de número 519, a última, com a camisa do Flamengo. Em 2005, ele certamente não responderia com convicção que se tornaria, dali a dez anos, o 7º jogador que mais vestiu a camisa do Flamengo. 
       Talvez a geração anterior a essa tenha saudades de Leandro até hoje, 35 anos depois. O "peixe frito" foi o lateral direito dos tempos áureos e conquistou a América e o mundo pelo clube. Com Léo, não há de ser diferente. A identificação foi construída com regularidade na posição, tal que o levou à Seleção Brasileira em 2008.
       É bem verdade que nesses 10 anos, o Flamengo não trouxe sombra nenhuma na lateral direita. Mas Léo se garantiu por ali quando elas pareciam querer aparecer. Foi assim com Welington Silva, hoje no Fluminense, o único que ameaçou o Capitão rubro-negro.
       Antes mesmo de virar tendência com Neymar, Léo já usava o penteado que ganhou o mundo na primeira década de Flamengo. O primeiro - agora último - dos moicanos teve seus fios irretocáveis e esbranquiçados com os anos pelo time mais popular do país. Neles, 2007 e 2009 certamente foram os mais marcantes para quem esteve na arquibancada. O primeiro, pela arrancada do time em busca da Libertadores. O segundo, pelo memorável fim do jejum de 17 anos.
      Foi sem a braçadeira que Léo Moura demonstrou que a relação ultrapassava questões de ordem de jogo. A chegada de Ronaldinho Gaúcho em 2011 fez com que o lateral multicampeão passasse a faixa ao astro. Um ato solene e compreensível fez com que o moicano fosse ainda mais valorizado.
       Essa valorização ecoou ontem, no Maracanã com 30 mil presentes, no que parecia um simples amistoso. Os gritos de "fica, Capitão" só confirmaram o que Léo fez pelo clube. A massa agradeceu e se sentiu agradecida por ter um ídolo em tempos mercantilistas do futebol.
       O último dos moicanos marca o fim de uma geração que conquistou 5 estaduais, 2 Copas do Brasil e 1 Campeonato Brasileiro. Faltou a América. Sobrou a Nação.

       

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

É bom estar de volta

       Desde a última postagem, já se vão quase dois meses. Se um princípio de pré-temporada foi visto no Brasil, o Blog aproveitou para tirar um descanso. Primeiro porque, por mais que o futebol seja algo indispensável na vida de pessoas conscientes, ele - e nós - precisamos tirar folga. Segundo porque esse papo de transferências pra lá, eleições de clubes pra cá, são pautas para cadernos econômico e político, respectivamente. Sobretudo, na iminência dos fatos.
      
      Agora sim, com bola rolando em terras tupiniquins, é hora de esfregar as mãos, ligar os neurônios e deixar o coração acelerado. Durante esse ano, vamos nos esforçar para dois posts semanais, às segundas e quintas, possivelmente. Dias de ressacas emocionais, a contar pelos 90 minutos apresentados pelo seu time.
      
      Vez ou outra, vamos de futebol europeu, mas estaremos mesmo de olho em tudo que acontece e  que deixa de acontecer por aqui, como o gol de bicicleta do Jô, o genérico - ou seria o original? - no empate do São José contra o Inter, que impediu o colorado de Diego Aguirre conquistar a primeira vitória do Uruguaio. 
       
       Quem sabe novas entrevistas vêm por aí? Temos uma lista seleta para 2015 e o microblog é uma ferramenta e meia pra isso. De olho também na literatura dos campos com novas seções nesse canto, que parece vir com mais fome que em 2014. Vamos juntos?
      
       O blogueiro agradece as mais de 3.000 visualizações - quase 3.500. Não imaginou isso nem no dia em que viu o time dele ser campeão brasileiro.
       

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Tite desafia a história, o futebol e a estrada. Vale?

     


       O Corinthians ainda não anunciou de forma oficial, o treinador desconversa a cada entrevista, mas a informação vazou e Tite deve ser anunciado na próxima semana. Depois de uma temporada de estudos e contatos pelo mundo do futebol, o técnico mais vitorioso do time paulista fez a escolha certa?
     
       Pela frente, Tite vai se encontrar com a mesma situação que o levou a quase ser demitido do Corinthians em 2009: A pré-Libertadores. O surpreendente Tolima por pouco não desmontou o que viria a ser um projeto de êxito continental e mundial. E é esta a questão sobre a qual jornalistas, dirigentes e torcedores têm se perguntado: Tite não alcançou o ápice?

       A História está cercada por exemplos de sistemas que atingiram o ponto máximo da eficiência, mas, adiante, sucumbiram com o mesmo comandante. Assim são relatadas, por exemplo, as trajetórias de Alexandre, o Grande, Júlio César e Napoleão Bonaparte. O último, quando voltou, já não era o general que dominava a Europa. 

       Em que pese as atualizações pelas quais o treinador tenha passado, ele assume um risco enorme ao voltar. Qualquer campanha que não atinja os limites da última terá sido, por razões óbvias, inferior. Sendo assim, o que pode tê-lo convencido da volta?

       Aspectos políticos de lado, Tite talvez tenha sido motivado por encontrar uma forma mais ofensiva de jogar. Precisa, é bem verdade, de peças para isso. Tanto quanto de mudanças no pensamento e na estratégia, que o trazem, ainda com as conquistas, o rótulo do pragmatismo, do futebol pelo resultado. 

       Se trilhar pela linha sob a qual a carreira foi construída, Adenor terá como destino mais distante aquele que ele já alcançou. Vale?

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Era hora?

       Quem nunca quis sonhar com os números da Sena e, do nada, ter na conta seis zeros e um número diferente de zero no sétimo e oitavo dígitos? Mas, pense: Você saberia como administrar? Em quanto tempo gastaria - ou aumentaria - o prêmio?
   
       A Sociedade Esportiva Palmeiras fez a Sena, mas parece não saber utilizar o prêmio. Em uma parceria, que já tem imbróglios, com a WTorre, o verdão tem a mais moderna casa do futebol brasileiro, segundo a maioria dos relatos, e um time que sequer poderia ser chamado de Palmeiras, como disse Antero Greco na edição noturna do SportsCenter depois da derrota para o Sport. 

       O Palmeiras investiu, mas não soube aproveitar o investimento. Faltando 4 rodadas, depois de 2 derrotas, por que não esperar por 2015? A chance de perder era grande e a diretoria assumiu o risco. Tem que assumir as consequências agora. Os palmeirenses mais exaltados picharam o portão e tentaram quebrar cadeiras, enquanto deveriam olhar para o campo e ver que 90% do time não tem condições de representar tudo o que estava em volta.

       Por meio da diretoria, que avalizou a estreia do estádio, o Palmeiras quis fazer uma festa de gala sem traje social. A festa aconteceu fora de sintonia entre o que se viu dentro e fora de campo. Sabedores dessa possibilidade, os dirigentes transmitiram a ideia de um jovem emergente, como se quisesse mostrar a sua casa nova logo, mesmo com toda a mobília desordenada. Os convidados, obviamente, apreciaram a casa, mas reclamaram - e muito - no final.

       Nessa nova toada, a casa nova pode servir para eventos menos badalados. Tomara que a primeira impressão não fique e que convidados de elite possam frequentar o Alianz Parque.  

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Acredite. Se quiser.

       E você: Acreditou? Você, torcedor do Galo, embalado pelo mantra, realmente acreditou que fosse possível a virada? Fato é que, mesmo que não tenha acreditado, você está vivendo os dois anos de maior glória do seu time. Assim como o botafoguense e o santista esnobam pelas décadas de 1950 e 1960, como o rubro-negro se estufa para contar a Deus e ao mundo sobre a década de 1980 e como os São Paulinos falam da década de 1990, você, atleticano, vai contar o que viu entre 2013 e 2014.

       Nós, de uma maneira geral, só percebemos a história quando nos distanciamos dela. Talvez por isso, você só perceba esta constatação daqui 10, 20, 30 anos. E vai se lembrar que um dia houve um time capaz de reverter um placar adverso por quatro vezes. Sim! Você vai se lembrar de que esteve em alguns - ou quase todos estes jogos - ao som do Eu Acredito, enquanto alguns duvidavam e outros desconfiavam. 

       A esta altura, pouco importa o jejum de 43 anos de Campeonato Brasileiro. Vai ver, você nem se lembrava disto. E tem todos os motivos para fazer de sua memória um campo seletivo de lembranças. Se uma lâmpada mágica aparecesse para você, atleticano, e o gênio realmente existisse, ele teria que dar um jeito, mas você pediria, certamente, outra vez Tijuana, Newel's, Olímpia, Corinthians e Flamengo. São dois a mais. Algo que seu time tem se acostumado a fazer. 

       Quando acabar o encanto, guarde cada momento na enciclopédia do seu cérebro para contar aos seus descendentes o que você viu. E, quer uma sugestão? Termine sempre com: Acredite. Se quiser. A chance de você reviver todos estes momentos será ouvida com: Eu acredito.

      

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Conhecer limitações para desconhecer limites - Parte 2

       Se o Flamengo deu uma lição de auto-conhecimento dentro de campo na última quarta-feira, a tarefa para o jogo da volta exige erro zero. Já muito longe da confusão, segundo Vanderlei Luxemburgo, o autor da ideia, o time perdeu duas peças fundamentais para o esquema: Léo Moura e Gabriel.
     
       As perdas só atenuaram as limitações rubro-negras com falta de velocidade no contra-ataque e vulnerabilidade defensiva. Nesta quarta, Luxemburgo deve encontrar uma formação equilibrada e jogadores experientes para não atacar muito, sequer defender em demasia.

       O técnico do Flamengo mostrou-se muito seguro ao entender a prioridade do clube e evidenciar que a diferença técnica pode ser igualada com a disposição em campo. Mais que isso, o saco de cimento, que ele cogitou trocar por açúcar, pode concretar a classificação calando gradativamente a massa atleticana. É difícil acreditar que, caso Éverton e Gabriel não joguem, o Flamengo busque alternativas de velocidade. Nessa condição, a bola passa - e fica - com Canteros enquanto o time se organiza.

       As limitações, de fato, parecem ser maiores. Parecem, se o torcedor do Flamengo se lembrar de que um limite - o maior deles na temporada - foi transpassado no fim de semana, quando o time não tinha boa parte daqueles que terá no jogo da volta.

       Conhecer limitações para desconhecer limites lembra título de auto-ajuda. Que é bem diferente de auto-conhecimento. Essa trilogia existencial tem seu capítulo amanhã, quando Anderson Daronco apitar o fim de jogo. Ou antes: Basta lembrar o que o último rubro-negro fez quando visitou o Mineirão.