terça-feira, 23 de junho de 2015

Obrigado, Seu Mário!

       Seu Mário, talvez daí, de onde o senhor estiver, não seja possível perceber a dimensão do nome, mas se lhe fosse dada a oportunidade de caminhar pelo Rio hoje, certamente o chamariam de Senhor Maracanã.

Essa história de ser cronista rendeu, hein, seu Mário? Mas, provavelmente o senhor queria era estar em campo. Eu também. E no Rio! Não sei os motivos pelos quais o senhor não foi. Sei os meus. Talvez se eles não existissem, não seríamos Flamengo. Melhor nem pensar nessa possibilidade.

O senhor, então, inaugurou a crônica esportiva carioca. Dizem os maldosos, revestidos de números, que os gols de papel existem por conta dos gols do campo e, por isso, são mais fáceis. Sim! Opositores, concordo! São esses os gols que me fazem jogador. O meu campo? Algumas linhas, o senhor deve entender.

Quando estive no "Senhor Maracanã", agradeci especificamente ao pedaço do céu escolhido para envolver o anel. Oito anos depois, que consórcio, Seu Mário? A magia, transmitida também pelo rádio, estava ali: no casal que relembrava ao atento operador, os 200 mil presentes e frequentes nos anos 80, ou no pequeno Davi, que estampava o mais sincero sorriso. Ambos na fila. 

       Cronicar o jogo em uma tarde como a de sábado é ousadia. Arrogância, quem sabe. Gostaria mesmo é que o senhor e o seu Nelson, diga-se tricolor, estivessem no Maracanã, sendo o Maracanã. Obrigado, Seu Mário! Obrigado, Seu Maracanã! 

 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Que Cristóvão vem aí?

       Quando veio a notícia da demissão, ouvida durante o Linha de Passe na última segunda-feira, o primeiro nome à cabeça foi Cristóvão Borges. O baiano foi sondado pelo Grêmio, mas exigiu R$ 300 mil mensais e era questão de tempo para se aventurar no terceiro time carioca da carreira. 

     No primeiro, herdou a vaga de Ricardo Gomes - depois de um AVC sofrido durante um Flamengo x Vasco. Sob a desconfiança que paira sobre um interino, Cristóvão fez um trabalho equilibrado durante um ano. Parou em Cássio. Ainda assim, a passividade ainda não confirmava a postura de alguém à frente de um clube tradicional. 

       Antes de chegar ao segundo, parou na boa terra, a sua terra, para fazer um trabalho consistente no Bahia. A ponto de ser chamado nas Laranjeiras. E, se a imagem de interino o atrapalhou no Vasco, a relação Fluminense-Unimed o incomodou no Fluminense. Cristóvão ficou em segundo plano na guerra de vaidades dentro do clube, que ainda perdura. Pesa, ainda, como para todo o técnico, o relacionamento com Fred, o que não era tanto empecilho assim.

     Agora, menos de dois meses depois da saída, tem o desafio de assumir o Flamengo. Nada de interino, muito menos de relação patrocinadora-clube, Cristóvão terá a chance de, em um clube grande, mostrar as caras e justificar a modernidade pela qual fora tão elogiado desde o primeiro trabalho. 

Dentre as opções, o Flamengo buscou oxigênio no comando e nas finanças. Só o tempo se encarregará de mostrar o quanto a diretoria sabe ou não sabem nada de futebol, mas a aposta é válida. Sobretudo, quando o que se paga seja a resposta: Que Cristóvão vem aí?

terça-feira, 26 de maio de 2015

Vanderlei e a contracultura nem tão brasileira assim

       "A longo prazo, Luxa não tem rendido. Seria ele um bombeiro?". Há exatos 11 meses e dois dias, o blog resolveu listar prós e contras da contratação de Vanderlei Luxemburgo, demitido na noite desta segunda-feira, após reunião do Comitê de Gestão do Flamengo e o prognóstico se confirmou. 

       Deve ser discutida a decisão da diretoria rubro-negra, que deve completar nos próximos dias, 6 técnicos em 30 meses. Entretanto, o time de Vanderlei, encorpado e determinado a sair da tão falada zona da confusão, não apresentou padrão de jogo algum nos quase 30 jogos apresentados até então. 

     Ninguém discute a capacidade de Luxa, mas condenar a decisão é o mesmo que exigir um exercício de futurologia. Mantém o técnico com um time do qual ele já parecia não conseguir total rendimento, ou demite na 3ª rodada para oxigenar o grupo? Como o "pofexô" gosta de ressaltar nas coletivas, "Isso pertence ao futebol."

       O todo-poderoso Real Madrid fez o mesmo exercício de demissão horas antes, consta-se, com o time eliminado na semi-final da principal competição do mundo e apenas há dois pontos do Campeonato Espanhol. Com o agravante de ter sido campeão com o mesmo Carlo Ancelotti na última temporada. "Pertence ao futebol?"

       É cada vez mais difícil, sobretudo no futebol brasileiro, traçar a tão ideal filosofia de jogo. Não seria arriscado dizer que ela representa a contra-cultura do esporte mais apaixonante por aqui, mas não está muito longe de quem trata o futebol como negócio - e bem-sucedido. 

       Luxa, panoramas a parte, rotula-se, cada vez mais, como um técnico a curto prazo e a longo preço. O Flamengo deve muito a ele nesta quarta passagem. Mesmo que desta vez não estejamos falando sobre multa rescisória. 
       


segunda-feira, 20 de abril de 2015

A presença da suspeita e a ausência da credibilidade

       Já se passaram mais de 24 horas da eliminação rubro-negra no campeonato carioca. E nenhum flamenguista pode dizer que seu time atuou de forma minimamente convincente durante os 180 minutos das semifinais do torneio estadual. Pelo contrário: um time moroso, estático, por vezes, imóvel.
       Logo, a eliminação foi merecida. Foi? Teria sido se o adversário mostrasse maior superioridade técnica para ganhar o confronto. Teria sido se, desde o início do campeonato, não presenciássemos episódios desde a primeira rodada. 
       Reuniões aqui, atas ali, medidas arbitrais - e arbitrárias - acolá, o carioca 2015 nasceu sob suspeita e cresceu sem credibilidade. Que os erros são circunstanciais, isso "pertence ao futebol", como gosta de dizer o treinador rubro-negro, Vanderlei Luxemburgo. Entretanto, quando os erros se repetem em várias rodadas, contra diferentes clubes, a favor de um dos - o principal - aliados da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, a classificação fica manchada. 
       Embora o rubro-negro não tenha demonstrado um bom futebol, a falta de gols no Maracanã daria a classificação ao time da Gávea. Assim, o histórico do presidente cruzmaltino e a proximidade dele aos caciques do futebol estadual endossam a hipótese de que, sim, houve um favorecimento premeditado.
       Cabe ao clube manter a postura "rebelde" que resultou no desrespeito, dentro e fora do ar, à instituição Flamengo e ao seu presidente, por parte do presidente Rubens Lopes. Aliás, a dupla Fla-Flu tem uma oportunidade histórica de fundar uma liga ao lado de outros clubes que já demonstraram interesse em seguir o mesmo caminho.
       "Vencer, vencer, vencer" não está atrelado apenas aos resultados de campo, mas ao que é feito, principalmente bem feito, fora dele.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Pa(G)olo Guerrero: Ídolo por mais de um gol

       Se estivesse em campo apenas em 2013, em Yokohama, contra o Chelsea, Paolo Guerreo já estaria imortalizado na história do Corinthians. Em times como o do Parque São Jorge, são gols que fazem os ídolos, e não o contrário.

       Mas o peruano, já fazedor de gols no Campeonato Alemão, não parou no gol mais importante dos quase 105 anos de história do clube. Em 2014, com ele, o Corinthians venceu - mas não convenceu - pelo placar mínimo com gol dele.

       Veio a discussão da renovação e Paolo, como chamara o antigo treinador, se manteve certo do que haveria de fazer em campo: gols. Na última quarta-feira, o #TitularEterno colocou mais 3 pulgas e um ponto de interrogação na diretoria alvinegra, chegando a 54 gols pelo clube e - pasmem - 64% dos gols decisivos em 2015.

       Mortal, inapelável, não perdoador. O torcedor corintiano pode, sim, chamá-lo assim. O atacante dos gols decisivos pudera ser brasileiro, ainda que a CBF tenha desperdiçado outro grande atacante, hoje espanhol, que atende pelo nome de Diego Costa.

       Renovável, ou não, a torcida talvez não se esquecerá de Paolo, que, por mais de um gol e por um gol está eternizado por ser Guerrero!

quinta-feira, 5 de março de 2015

O último dos moicanos

       Leonardo Moura fez sua partida de número 519, a última, com a camisa do Flamengo. Em 2005, ele certamente não responderia com convicção que se tornaria, dali a dez anos, o 7º jogador que mais vestiu a camisa do Flamengo. 
       Talvez a geração anterior a essa tenha saudades de Leandro até hoje, 35 anos depois. O "peixe frito" foi o lateral direito dos tempos áureos e conquistou a América e o mundo pelo clube. Com Léo, não há de ser diferente. A identificação foi construída com regularidade na posição, tal que o levou à Seleção Brasileira em 2008.
       É bem verdade que nesses 10 anos, o Flamengo não trouxe sombra nenhuma na lateral direita. Mas Léo se garantiu por ali quando elas pareciam querer aparecer. Foi assim com Welington Silva, hoje no Fluminense, o único que ameaçou o Capitão rubro-negro.
       Antes mesmo de virar tendência com Neymar, Léo já usava o penteado que ganhou o mundo na primeira década de Flamengo. O primeiro - agora último - dos moicanos teve seus fios irretocáveis e esbranquiçados com os anos pelo time mais popular do país. Neles, 2007 e 2009 certamente foram os mais marcantes para quem esteve na arquibancada. O primeiro, pela arrancada do time em busca da Libertadores. O segundo, pelo memorável fim do jejum de 17 anos.
      Foi sem a braçadeira que Léo Moura demonstrou que a relação ultrapassava questões de ordem de jogo. A chegada de Ronaldinho Gaúcho em 2011 fez com que o lateral multicampeão passasse a faixa ao astro. Um ato solene e compreensível fez com que o moicano fosse ainda mais valorizado.
       Essa valorização ecoou ontem, no Maracanã com 30 mil presentes, no que parecia um simples amistoso. Os gritos de "fica, Capitão" só confirmaram o que Léo fez pelo clube. A massa agradeceu e se sentiu agradecida por ter um ídolo em tempos mercantilistas do futebol.
       O último dos moicanos marca o fim de uma geração que conquistou 5 estaduais, 2 Copas do Brasil e 1 Campeonato Brasileiro. Faltou a América. Sobrou a Nação.

       

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

É bom estar de volta

       Desde a última postagem, já se vão quase dois meses. Se um princípio de pré-temporada foi visto no Brasil, o Blog aproveitou para tirar um descanso. Primeiro porque, por mais que o futebol seja algo indispensável na vida de pessoas conscientes, ele - e nós - precisamos tirar folga. Segundo porque esse papo de transferências pra lá, eleições de clubes pra cá, são pautas para cadernos econômico e político, respectivamente. Sobretudo, na iminência dos fatos.
      
      Agora sim, com bola rolando em terras tupiniquins, é hora de esfregar as mãos, ligar os neurônios e deixar o coração acelerado. Durante esse ano, vamos nos esforçar para dois posts semanais, às segundas e quintas, possivelmente. Dias de ressacas emocionais, a contar pelos 90 minutos apresentados pelo seu time.
      
      Vez ou outra, vamos de futebol europeu, mas estaremos mesmo de olho em tudo que acontece e  que deixa de acontecer por aqui, como o gol de bicicleta do Jô, o genérico - ou seria o original? - no empate do São José contra o Inter, que impediu o colorado de Diego Aguirre conquistar a primeira vitória do Uruguaio. 
       
       Quem sabe novas entrevistas vêm por aí? Temos uma lista seleta para 2015 e o microblog é uma ferramenta e meia pra isso. De olho também na literatura dos campos com novas seções nesse canto, que parece vir com mais fome que em 2014. Vamos juntos?
      
       O blogueiro agradece as mais de 3.000 visualizações - quase 3.500. Não imaginou isso nem no dia em que viu o time dele ser campeão brasileiro.